Associado que prefere manter o anonimato

Diferentes advogados trabalhistas ouvidos pela SUCESSO respondem:

O primeiro passo é ter certeza. Jamais faça acusações sem provas, pois há suficiente jurisprudência de ganhos de causa dados a empregados acusados de furto ou roubo sem comprovação. Instalar uma câmera que registre a área do caixa ou do lugar onde o dinheiro é manipulado pode ser um primeiro passo. O registro de caixa – com valores diferentes dos efetivamente recolhidos – também costuma ser usado como evidência. Aliás, ter um sistema de caixa muito bem controlado ajuda a evitar essas situações. Tenha planilha com entrada e saída detalhadas – dinheiro inicial, dinheiro de vendas, vendas de cartão, total de vendas e dinheiro final. Esse tipo de controle permitirá, inclusive, saber com precisão o dia e a hora exatos em que houve o primeiro furto.

No caso de falta de material no estoque, e não no caixa, faça a contagem e tenha relatórios de vendas para usar como provas do desfalque. Dados de acesso ao local do furto (quem esteve lá e a que horas) também são necessários.

Uma vez reunidas as provas, e comprovado o delito, poderá ser realizada a demissão por justa causa. Tenha uma testemunha que presencie a conversa com o funcionário envolvido, caso contrário poderá ser acusado de conduta abusiva. Importante: procure um advogado ou defensor público. E saiba: é um equívoco incorrer no erro de muitos empresários que passam por essa situação e deixar de pagar o FGTS e a prestação de contas correspondente para “punir” o funcionário. A Justiça trabalhista sempre obrigará o patrão a cumprir suas obrigações. Muitas vezes, esse depósito é feito em juízo, até que seja julgada a ação penal relativa ao furto.

Muito provavelmente, o funcionário será enquadrado no crime de furto qualificado, com agravante de abuso de confiança. Um estudo de 2010 estimou em R$ 2,2 bilhões o prejuízo anual com furtos realizados por funcionários apenas no comércio varejista brasileiro. Cerca de 70% das lojas já teriam tido problemas similares. Não há estimativas sobre prisões. Segundo o Código Penal, a pena em caso de condenação por furto qualificado pode chegar a oito anos, e ainda pode incidir multa, dependendo do caso.