Presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG), Guilherme Eisenlohr fala sobre a nova fase da entidade, mais propositiva e fiscalizadora, e dá dicas aos empreendedores para navegar com mais segurança em plena turbulência política e econômica

Em tempos de turbulências econômicas, inovação. Se a crise é política, proposição e iniciativa. Com espírito renovado aos 55 anos de existência, a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) colhe os frutos de uma nova fase ainda mais atuante, marcada pela cobrança por melhorias para a infraestrutura e a economia da região. Nesta entrevista com a SUCESSO, o presidente da entidade, Guilherme Eisenlohr, deixa claro que Campo Grande não pede privilégios; exige direitos condizentes com uma população de mais de 483 mil pessoas e um conjunto de serviços, comércio e indústria que geram quase um quarto dos impostos da cidade.

O que mudou na postura da associação no que toca à relação com as administrações municipal e estadual? A cobrança aumentou?

Guilherme Eisenlohr: Entendemos que atingimos resultados muito abaixo do que esperamos de uma relação saudável com o poder público. Sempre recebemos muito bem todas as autoridades, mas as demandas de nossa região continuam afetando a vida do empresariado e da população do bairro. Em reunião, a diretoria decidiu que precisamos ocupar um papel fiscalizador mais severo. A nova Revista SUCESSO, a excelente exposição da ACICG nas redes sociais e o retorno positivo de nosso público demonstram que estamos no caminho certo.

Guilherme Eisenlohr, presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG)

Guilherme Eisenlohr, presidente da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG)

Por que crê que o poder público deve particular atenção a Campo Grande? O que a região tem de especial?

Somos o bairro mais populoso do Rio, com mais de 483.000 habitantes, o bairro responsável por 24% da arrecadação dos impostos na cidade, além de ser aqui que se decide uma eleição para prefeito. Como se não bastasse, alguns dos maiores números de empregos e renda partem daqui.

Acha que hoje Campo Grande recebe os investimentos em infraestrutura, a manutenção e os recursos em segurança pública a que faz jus?

Por certo temos um potencial invejável. No entanto, a contrapartida, que é a melhora da região, não ocorre como desejado. Na área da segurança, a PM tinha um contingente de 1.200 homens para uma população de 364.000 habitantes no ano 2000. Hoje, passados 16 anos, a população é de 483.000 (aumento de mais de 32%), e o número de policiais caiu para menos de 360 (redução de 70%). Na Guarda Municipal, contamos com apenas 22 agentes, sendo 8 administrativos. Em 2.000, eram 100.

Em que medida uma associação mais fiscalizadora beneficia os associados e a região?

Nosso objetivo é também tentar implantar a cultura da fiscalização na população. Vale lembrar que estamos falando do nosso dinheiro. Quem melhor do que nós mesmos para observar de perto como ele é gasto? Um governo sério entende esse processo e e se beneficia dele. A construção de um país melhor se faz assim, participando!

Que conselho daria para os empresários associados nesses tempos de crise?

Esse é o momento de se reinventar. Descobrir novas formas de ganhar dinheiro e reduzir despesas. A palavra de ordem agora é inovação! Atuem com cautela e união. E continuaremos construindo um país gigante pela própria natureza para nossos filhos e netos.

 

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