Texto: Adriana Araujo

Única universidade pública da Zona Oeste sofre com a crise orçamentária e faz petição para conseguir recursos do governo estadual

A Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo), localizada em Campo Grande, passa por um período grave de crise orçamentária, assim como outras instituições administradas pelo governo do estado do Rio de Janeiro. A situação da única universidade pública da Zona Oeste é tão crítica, que, caso o repasse da verba necessária não seja feito, o ano de 2017 pode começar com os portões fechados. Uma das medidas tomadas pela administração da universidade foi a criação de uma petição online para obter apoio popular na solicitação de recursos junto aos governantes do estado.

A pró-reitora da Graduação da Uezo, Vânia Lúcia Muniz, dá um panorama sobre o funcionamento da universidade nesse fim de ano: “O funcionamento neste fim de período está deficiente. Além de estarmos lidando com profissionais desanimados pela sua própria desvalorização, que não receberam o 13º salário e estão concluindo o recebimento do salário de outubro somente agora em dezembro. O pagamento de novembro será pago em parcelas até 20 de janeiro de 2017. A Instituição está sem segurança por falta de pagamento por parte do Estado. Há vários alunos que já deveriam estar concluindo seus cursos, mas não estão por falta de professor para ministrar algumas disciplinas”, relata.

A aluna do 9º período de Engenharia de Produção, Suellen Silva, fala sobre o receio de frequentar o campus da faculdade com ausência de segurança, devido à falta de pagamento. “A faculdade está sem equipe de segurança, só ficam dois guardas à noite. O campus fica um breu. Ficamos duas semanas sem aula por isso. Pediram ajuda à PM, e, de vez em quando, tem um carro da polícia em volta da faculdade, mas não é todo dia. A gente sai da faculdade oito da noite e não tem nenhum segurança na porta”, conta.

Para o ano de 2017, o governo deu uma previsão de repasse de 480 mil reais, que corresponde a 10% do orçamento necessário para o pagamento de custeio e pessoal. “Na verdade, seriam necessários três milhões para o custeio. O valor que tornaria possível a sobrevivência e as portas abertas é de seis milhões. Está sendo solicitada uma emenda orçamentária à Secti [Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, a qual a Uezo está vinculada] e à Alerj de 20 milhões visando garantir alguns dos direitos dos recursos humanos, já comuns a todas às Instituições de Ensino Superior irmãs”, detalha Vânia.

Suellen, que é cotista, fala sobre o atraso no pagamento de bolsa permanência aos alunos que entraram na faculdade pela reserva de vagas e reflete sobre as consequências desses atrasos na vida dos estudantes. “A Uerj sempre é a prioridade, a nossa faculdade sempre é a última. Eu estou fazendo estágio, mas tem gente que depende desse dinheiro para ir para a faculdade ou para pagar um lugar para morar próximo do campus, porque morava muito longe. Ouvi relatos de pessoas que ficaram devendo de dois a três meses de aluguel por causa disso”, avalia.

Para que haja maior chance de receber a verba necessária, a Uezo precisa do apoio da população. Foi criado um abaixo-assinado online, que visa colher assinaturas para apoiar a causa. A pró-reitora da Graduação esclarece a importância de assinar o documento: “O abaixo-assinado mobiliza as pessoas e tem o propósito de fazer pressão política. É um grito que vai ficando mais alto, à medida que aumenta o número de assinaturas”, explica Vânia.

A pró-reitora de pesquisa e pós-graduação, Maria Cristina Assis, fala de uma das principais reivindicações da petição:

“A principal reivindicação é a existência de uma Instituição de ensino superior estadual consolidada na Zona Oeste. Para isso é necessário que os recursos humanos sejam valorizados, este é grande pilar da qualidade de ensino da instituição. Na Uezo não há nem o básico, nem o justo, pois não criaram instrumentos capazes de dar o necessário, como por exemplo, plano de cargos e salários”, declara Cristina.

Vânia reforça a importância do atendimento das reivindicações da Uezo: “As portas não serão abertas. Isto não é exagero, mas a realidade, já que não teremos como pagar os serviços essenciais ao funcionamento”, salienta.

Assine a petição em favor da Uezo: http://www.peticaopublica.com.br/pview.aspx?pi=BR96461

 

Imagem: Secretaria de Comunicação do Governo do Estado