Por Maurício Ferro

Conheça diferentes modalidades de aplicações para fazer seu dinheiro render (pelo menos um pouco) nestes tempos de vacas magras na economia

A vida de um investidor seria mais fácil se existisse apenas uma forma de aplicar o dinheiro. E se não houvesse crise, que obriga qualquer um a apelar a investimentos compensem as perdas decorrentes da redução nas vendas. Ou se não nos afetasse a inflação, que acarreta perda de valor para o seu dinheiro. Especialistas, porém, são unânimes em dizer que não há uma “fórmula” só para tentar fazer as economias renderem. Em meio a muitos fatores importantes na hora de tomar uma decisão para investir, pelo menos três critérios básicos podem ser destacados: quantia disponível, prazo e objetivo do investimento.

“Não tem uma verdade única. Mas, sabendo esses pontos, a pessoa consegue minimamente ter um plano”, afirma Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest.

A planejadora financeira e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Myrian Lund também é clara: “A primeira coisa a ter na cabeça são os objetivos”, diz. Para Lund, ganhar dinheiro e investir corretamente requerem uma separação entre curto, médio e longo prazos. No curto, ficam as reservas de emergência – o chamado colchão financeiro. É aquele dinheiro que pode ser pego de volta rapidamente (ou seja, que tem liquidez) para usar numa viagem de férias ou numa emergência.

Ela recomenda, por exemplo, investir num fundo de renda fixa que cobre uma taxa de administração máxima entre 1% e 1,5% ao ano; numa Letra Financeira do Tesouro Direto (LFT), que é um título fixado à taxa básica de juros (Selic) diária, ou mesmo num CDB de um banco com taxa de 90% do CDI. É que nenhuma dessas formas de aplicação, todas consideradas de baixo risco, exige que o dinheiro fique parado obrigatoriamente por muito tempo, permitindo ao investidor lançar mão dele mais rapidamente, caso deseje.

 

Ações: o risco mais elevado

No mesmo sentido, Marcos Crivelaro, professor da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap) e especialista em finanças, acredita que, para manter a “maior liberdade de movimentação de dinheiro”, o ideal para o curto prazo é investir na renda fixa. Ele ainda diz que, no momento, não recomendaria fazer investimentos em ações, mesmo com a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tendo passado dos 64 mil pontos em outubro, o que não acontecia desde abril de 2012. Só os papéis preferenciais da Petrobras, um dos mais negociados na Bolsa, tiveram valorização de mais de 160% em 2016, saindo de R$ 6,70 no primeiro dia do ano para mais de R$ 18. A volatilidade, porém, afasta investidores. A ações da Vale são outro caso emblemático do mercado brasileiro: chegaram à mínima anual de R$ 6,44 e fecharam a última sexta em R$ 18,64.

“Quem não tem experiência com ações, é melhor que fique na renda fixa”, afirma Myrian Lund. “E, para investir em Bolsa, tem de conhecer bem o mercado. Não dá para seguir o que o amigo faz. Tem que se preparar. É para quem tem perfil mais arrojado. É como o próprio nome diz: é ‘renda variável’. Gerir isso não é para qualquer pessoa”, complementa.

Para o longo prazo, segundo Lund, seria o caso de pensar na aposentadoria. Isso poderia ser feito comprando títulos no Tesouro Direto ou, se a pessoa for mais cuidadosa e souber controlar bem o próprio dinheiro, até mesmo diversificar a carteira com ações. O cuidado especial deve ser, especificamente, com as previdências nos grandes bancos. “Estão cobrando taxa de administração de 3% ao ano. Isso acaba com a aposentadoria”, alerta ela. Já a atenção óbvia no investimento em ações é com papéis de empresas pouco “confiáveis” – seja por dificuldades de gestão ou problemas de natureza econômica ou contábil. Estes tendem a se desvalorizar, representando, às vezes, grandes perdas para o investidor.

 

Se puder, fuja de opções que cobram IR

Já para o médio prazo, a planejadora financeira oferece uma opção à rentabilidade dada pelos grandes bancos: abrir conta numa corretora independente. Assim, seria possível aplicar em LCI (Letra de Crédito Imobiliário) ou LCA (Letra de Crédito Agrícola) com taxas de rendimento mais atrativas – sem contar que essas aplicações não contam com incidência de imposto de renda (IR), o que as torna mais atrativas se comparadas a modalidades nas quais, muitas vezes, recai um percentual de 27,5% sobre os lucros. “É investimento para dar entrada no apartamento ou para o filho estudar no exterior em 10 anos. São aquelas coisas que quase toda família sonha”, explica Lund.

Para orientar você, que busca diversificar seus investimentos e aumentar os ganhos, apresentamos uma tabela com alguns dos principais investimentos oferecidos pelos grandes bancos e corretoras. Na tabela, você encontrará informações sobre o valor necessário para o investimento inicial, a liquidez (ou seja, a possibilidade de fazer um saque antes do fim do contrato com a instituição financeira), se o investimento faz parte do Fundo Garantir do Crédito, se paga imposto de renda, qual o critério de rendimento, quem assume o risco em caso de turbulências no mercado e o público ao qual o investimento se destina.

O Fundo Garantidor de Crédito é um “colchão”, um mecanismo de proteção a aplicações legais no sistema financeiro nacional que banca os depósitos mesmo em caso de graves tremores econômicos da instituição responsável pelo investimento. Mas não se esqueça: no Brasil, atualmente, só são garantidos depósitos de até R$ 250 mil por esse Fundo. Todo valor depois disso, caso o banco venha a quebrar, pode simplesmente ser perdido pelo investidor.

 

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