Na manhã da última sexta-feira (3), um menino de três anos faleceu após ser atingido por um portão. O caso aconteceu em frente à Escola Municipal Amazonas, em Campo Grande. Segundo conta reportagem do Jornal O Dia, o menino, Matheus Almeida de Moraes Cele, estaria acompanhado do pai e de duas crianças na calçada, quando um dos pequenos se apoiou e o portão caiu. Ainda segundo o jornal, a polícia civil está em andamento com as investigações.

Segundo um funcionário da 9ª CRE, que não quis se identificar, apesar da direção ter enviado diversos ofícios para o órgão no último ano, não recebeu verba para troca ou mesmo conserto do portão. Correndo risco de ser acusada, já que a responsabilidade da manutenção da escola é da direção. Procurada, a escola foi recomendada pela CRE a não dar declarações, já que a situação é ainda muito prematura e especulativa. Até o fechamento desta matéria, a Secretaria Municipal de Educação, Esportes e Lazer não comentou o caso.

“Depois desse horrível episódio sinto receio não só naquela escola, mas em qualquer uma outra. Meu filho tem 4 anos e é o segundo ano que vai estudar numa escola municipal. Não deixou somente atento a isso, mas sim em qualquer outra escola e quaisquer outra situação que posso vir acontecer”, afirma Jorge dos Santos, morador da região próxima à escola e agente de trânsito.

Especialistas comentam os cuidados com a manutenção de escolas

Segundo André Domenico Caraffa, Diretor Técnico da iNova TS, o melhor material para o portão deve ter rigidez e durabilidade, tento como exemplo alumínio e madeira.

“O projeto de uma escola deve seguir especificações e procedimentos técnicos dentro das normas ABNT, MEC e da legislação estadual e federal. Tem que garantir todos os aspectos relativos a segurança, salubridade, conforto, acessibilidade, durabilidade  e principalmente ter uma programação de manutenção preventiva”, afirma o especialista.

Já Tarcísio Melo, Engenheiro de Segurança, destaca ainda sua vivência em grande obras, onde aprendeu que os acidentes acontecem principalmente em situações em que o risco parece não existir.

“Nesse acidente na escola, tenho certeza que muitos já haviam percebido algo errado com o portão, um barulho, uma dificuldade para abrir, uma folga ou algo parecido, mas por ser forte e não parecer nada perigoso, o risco foi, mais uma vez, subestimado. Amanhã, eu garanto, será feito uma vistoria criteriosa em cada um dos portões, e o conserto será imediato. Ou seja, a velha frase se encaixa nos acidentes como uma ‘luva’: ‘Depois do fato, todo mundo é sábio’. Ou seja, todos sabiam mas ninguém fez nada”,  explica o especialista.

Melo critica ainda a avaliação do engenheiro da RioUrbe, que afirma ter acontecido um desgaste imperceptível dos apoios: “E mesmo se o desgaste for imperceptível, alguém capacitado falhou, ou o engenheiro, ou mesmo o fabricante do portão que o construiu de forma que impeça uma manutenção adequada dos seus suportes. A verdade é simples, se houve um acidente, há uma causa e, há responsabilidades”, conclui.

Imagem: Reprodução/internet (http://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2017-02-03/crianca-morre-apos-ser-atingida-por-portao-em-campo-grande.html)