Os rincões da nossa região com jeito de zona rural e sabor de antigamente

Por Rita de Cássia Costa

Já se disse que a Zona Oeste, área imensa que engloba quase 74% do território da cidade, era um imenso “sertão carioca”. Não somos mais assim tão isolados ou despovoados para justificar o título, mas (felizmente) continuamos a manter grandes áreas verdes e de clima rural, mesmo concentrando a segunda maior população entre as zonas da capital, atrás somente da Zona Norte. Em Campo Grande, parques e florestas naturais, cachoeiras, montanhas, fazendas, sítios e outros refúgios bucólicos são um convite à contemplação e a uma pausa no dia a dia agitado.

Dividido entre 17 bairros da Zona Oeste, o Parque Estadual da Pedra Branca foi criado em 1974 e é considerado a maior floresta urbana do mundo. Numa pequena parte desses 124,9 quilômetros quadrados (o equivalente a 24 bairros de Copacabana somados), o acesso pelo Rio da Prata é a sede da Associação de Agricultores Orgânicos da Pedra Branca (Agroprata), uma das instituições que lutam pela preservação desse paraíso e que é, segundo se conta, formada por famílias que habitam a região há mais de 300 anos. O principal evento que eles realizam, todos os domingos, é a Feira Orgânica do Rio da Prata, repleta de produtos fresquinhos e orgânicos.

“Já éramos muito conhecidos até mesmo internacionalmente, mas não aqui ao redor. Então sentimos a necessidade de chamar a atenção e movimentar o turismo da região. Assim, Graciano Caseiro teve a ideia de criar a Festa do Caqui em 2014, com o apoio da Agroprata, e já em 2015 a Associação criou a Feira Orgânica. Os consumidores passeiam por aqui, pertinho de onde se planta tudo, e têm contato com os produtores. Um desejo que nós temos é promover um passeio em que o visitante possa ir até a horta colher”, afirma Rita Caseiro, diretora executiva da Agroprata.

Passeio pelas hortas

Atualmente, por meio de um programa da Agroprata, é possível ainda acompanhar uma visita técnica aos sítios. O trajeto entre os lotes dura até quatro horas, em estradas de terra, em meio ao verde, e, por vezes, com surpresas como o encontro com animais silvestres pelo caminho. Para participar, basta entrar em contato com a Agroprata (veja contatos no quadro abaixo). O passeio é gratuito e inclui trilha de aproximadamente uma hora, que passa por uma árvore milenar, um enorme jequitibá cujo tronco tem mais de 15 metros de diâmetro. As ruínas de uma escola de pedra construída ainda no tempo do Império, no século XIX, também surpreendem. Segundo Rita, esse edifício chegou a ser usado como senzala, o que torna seu valor simbólico ainda mais forte. Um velho assentamento indígena, com os resquícios de uma oca, garantem reflexão sobre outro dos importantes pilares que constituem a cultura brasileira.

A Agroprata está implantando ainda um novo projeto, o Museu do Agricultor. Diego Carreiro, condutor credenciado pelo Inea e que nasceu na região, afirma que a ideia é promover  pernoites nos sítios, com bate-papos sobre a história da nossa ocupação agrícola.

Centro Ecológico e fazendas se destacam

Ao lado do Park Shopping, o belo Centro Ecológico Metodista Ana Gonzaga contrasta com o entorno tão urbano. Com árvores nativas da Mata Atlântica, tem área de mais de mil metros quadrados destinados a pesquisas com a fauna e a flora da região. A entrada é gratuita, e o lugar tem espaço de apicultura e venda de mel. Além disso, para quem deseja conhecer a Reserva Particular de Patrimônio Natural, oferece-se um alojamento pago com 12 camas.

Com uma mudança recente na direção do Instituto que mantém o complexo, os responsáveis afirmam estar em fase de reestruturação e modernização para receber pesquisadores e incrementar a educação ecológica para crianças e adultos. O agendamento deve ser feito diretamente com o diretor, Fernando José Lima da Silva.

A pouco menos de dez quilômetros dali, também com acesso pelo BRT Transoeste (Estação do Pingo d’Água), há outro paraíso verde. O Megaville Clube Guaratiba atrela atividades de clube (piscinas, espaço de churrasqueiras, tobogã) e mata quase virgem, em 80 mil metros quadrados, com minifazenda e reserva natural. Além de pôneis, emu, cavalos, galinhas, porco e vaca, avistam-se araras, capivaras e outros animais da Mata Atlântica.

“Hoje em dia, as pessoas estão tão envolvidas com a vida na cidade que perdem o contato com a natureza. Aqui dá para sentir um pouco dessa tranquilidade”, diz Lara Bianca, gerente administrativa do Megaville Clube.

 

Bichos da Mata Atlântica em área do tamanho do Aterro

Também por aquela zona, na Estrada do Canhangá, uma transversal do Magarça, está a Fazenda Marambaia, sob os cuidados da PM do Rio. Convidados podem ser indicados por policiais e seus familiares e, com sorte, terão a chance de não só conhecer o lugar, como se hospedar num chalé ou cabana com temperatura sensivelmente mais amena que a do resto do bairro. De lá, o visitante tem uma bela visão da Restinga de Marambaia.

O Capitão Defaveri, administrador do local, conta que a extensão total do refúgio é de 1,2 milhão de  metros quadrados, algo como o Aterro do Flamengo. Além dos patos, gansos e galinhas criados ali, pássaros, furões e esquilos são visitantes frequentes. “É difícil você chegar ao Rio e ter uma área assim sem ter que enfrentar trânsito. Quem vem aqui sempre volta”, afirma o administrador.

Famoso pelas praias e pelas florestas, o Rio vem investindo cada vez mais em recantos rurais, que já viraram filão do turismo. “É cada dia maior o número de pessoas que buscam o turismo rural. Trata-se de uma oportunidade de sair dos apartamentos de espaço restrito e apresentar às crianças um pouco da vida rural. A região de Campo Grande tem todo o potencial para esse tipo de atividade”, afirma Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio de Janeiro (ABIH-RJ). Lopes reforça ainda a força da produção e venda de flores, a exemplo de Holambra, em São Paulo, ou ainda de produtos agrícolas e sacolões a céu aberto, tipo de experiência que já acontece na Feira Orgânica do Rio da Prata.

 

Serviço

 

Feira Orgânica do Rio da Prata

Estrada da Batalha 202 – Rio da Prata

(21) 2394-1246

Todos os domingos, das 7h às 14h

Entrada franca

facebook.com/feiraorganicariodaprata

www.agroprata.blogspot.com

 

Centro Ecológico Metodista Ana Gonzaga

Estrada do Cantagalo 378 – Campo Grande

(21) 99293-1630

Visitas gratuitas com agendamento prévio

Uso das instalações: preço sob consulta

 

Fazenda Marambaia – PMERJ

Estrada do Canhangá, snº – Guaratiba

(21) 3316-3335

Visitas com agendamento prévio

Diariamente, das 8h às 17h

Entrada: R$ 40 (PMs) e R$ 60 (convidados)

www.fazendamarambaiarj.net

e-mail: fazendamarambaia@pmrj.rj.gov.br

 

MegaVille Clube Guaratiba

Rua Coronel Jaime de Lemos 10 – Guaratiba

(21) 2417-7557 e (21) 4101-1983

Terça a domingo, das 9h às 17h

megaville@megavilleclube.com.br

www.megavilleclube.com.br/

facebook.com/megavilleclube

 

Imagem: Nathália Cavalcante