Ainda sem dar detalhes sobre suas ações em áreas como saúde, transporte ou camelôs, Marcelo Crivella termina o primeiro mês de mandato e reafirma à SUCESSO que priorizará o funcionamento da estrutura existente na cidade, sem grandes obras

Uma boa carta de intenções. É disso que dispõem o Rio e a nossa região, passado o primeiro mês da nova administração municipal a cargo de Marcelo Crivella (PRB). Ele reafirma o compromisso repetido ao longo da campanha de investir R$ 1 bilhão em caráter emergencial na saúde; só ainda não consegue cravar exatamente como conseguirá esse montante. Tampouco esclarece que políticas pretende implementar para criar mais áreas verdes. Ou para equacionar o delicado equilíbrio entre camelôs e comércio regular. Ou, ainda, para racionalizar o BRT Transoeste, com a eliminação, por exemplo, da jamais operativa Estação Maria Tereza, na Estrada do Monteiro.

A estação inativa foi um dos temas desta entrevista do prefeito com a SUCESSO, em que recordamos outros planos tratados num encontro dele, ainda na campanha, com empresários da região durante o evento Café com Ideias, promovido pela ACICG. “Meu governo será diferente. Nada de obras de grande porte, novos hospitais ou escolas. Vamos terminar o que está incompleto e colocar para funcionar a estrutura já existente”, sentencia.

Nos próximos meses, conforme os “estudos” encomendados por ele aos seus secretários sobre a situação de cada pasta avancem, a SUCESSO voltará a cobrar da administração municipal soluções mais efetivas e menos genéricas. Por ora, confira os principais trechos da entrevista.

O estrito controle de gastos parece ser um norteador deste início de mandato, pelos cortes de secretarias e cargos comissionados. Entretanto, no encontro Café com Ideias, o senhor disse que havia margem para um investimento de cerca de R$ 1 bilhão na saúde como medida quase emergencial. Ainda está de pé este compromisso? De onde virá o dinheiro?

Marcelo Crivella: Durante toda a campanha deixei claro que nenhuma área do meu governo seria mais importante que a saúde. Reafirmo esse compromisso. A administração passada tirou dinheiro da saúde para investir nas Olimpíadas, em grandes obras. Meu governo será diferente. Nada de obras de grande porte, novos hospitais ou escolas. Vamos terminar o que está incompleto e colocar para funcionar a estrutura já existente. Com austeridade e responsabilidade, resgataremos esse R$ 1 bilhão que foi tirado da saúde. Por isso estamos revendo a planta do IPTU, enxugando a máquina, cortando cargos comissionados e pedindo que todos os servidores entendam que teremos que fazer mais com menos. 

O Rocha Faria, apesar de incrementos pontuais, continua registrando enorme fila de espera, muitas faltas de profissionais em plantões e outros problemas que remontam ao período em que era estadual. Que plano a prefeitura tem para melhorar a qualidade ali?

A secretaria de Saúde tem um prazo de 60 dias para apresentar um plano de ação. O secretário está analisando a situação da pasta, revendo contratos, visitando os hospitais e conversando com médicos, diretores e enfermeiros. 

Haverá a construção de um novo hospital de referência na região?

Não vamos construir novos hospitais. Estamos estudando a incorporação das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do estado à nossa rede.

O senhor prometeu que demoliria a Estação Maria Tereza, na Estrada do Monteiro, “inaugurada” há mais de dois anos e jamais posta em funcionamento. Do jeito que está, prejudica o trânsito. Mantém esse plano? E, além disso, que outros tem para a expansão do transporte público na região de Campo Grande?

O secretário de Transportes é um dos mais respeitados técnicos do Brasil quando o assunto é mobilidade. Ele está estudando todo o nosso sistema e vai me apresentar em breve um plano para melhorar a vida do carioca. Os compromissos que assumi na campanha vou cumprir.

Como no resto da cidade, e certamente em parte devido à crise econômica e financeira que o Estado do Rio de Janeiro vive, há um notável aumento no número de camelôs na região. Que políticas pretende implementar para debelar esse problema?

Temos que regular esse trabalho. O ambulante não pode prejudicar o ir e vir do cidadão, não pode atrapalhar o comércio, mas também precisa trabalhar. Ele tem que ter espaços específicos com condições de trabalho. O importante é mantermos um diálogo aberto com todos os segmentos.

Apesar da presença de acessos para o Parque Estadual da Pedra Branca e a Serra do Mendanha na região, Campo Grande se destaca pela baixa densidade de áreas verdes. Como contornar isso?

O crescimento urbano tem que ser planejado. Não houve essa preocupação no passado e, hoje, pagamos um alto custo. Estive recentemente em Bangu plantando mudas de árvores. Essa é uma ação importante. O resultado vem em longo prazo, mas é um começo.

No que toca ao mercado de trabalho, como reter os moradores da região que, diariamente, precisam se deslocar a outras zonas do Rio para ganhar a vida?

A política de isenção fiscal não é a melhor solução. Estamos vendo o problema do governo do estado com isso. O maior estímulo é deixar a cidade segura, limpa, com um sistema de transporte eficaz, com hospitais que atendam à população e educação de qualidade. Cidades assim atraem investimentos. Temos que investir em moradias em locais próximos de onde as pessoas trabalham.

 

Imagem: Marcelocrivella.com.br