Texto: Adriana Araujo

As amigas Isabelle Fernandes e Taiany Araujo tem mais que uma graduação em comum: ambas enfrentam a enorme dificuldade de conseguir uma chance no mercado de trabalho. Formadas em Psicologia, elas enfrentam quase dois anos de desemprego, após a conclusão do curso. O tempo ultrapassa o estimado por especialistas, que vai de sete meses a um ano.

As amigas concordam que o maior desafio é que os recrutadores desejam experiência. “Eu me formei recentemente e não fiz estágio fora da faculdade, então eu só tenho a graduação. Como eles preferem sempre quem tem experiência, eu fico sem emprego” conta Isabelle.

Taiany completa: “A exigência do mercado não é compatível com a realidade. Eles sempre pedem pós, cursos de especialização, experiência. Mando currículo também para vagas fora da minha área, para cargos inferiores, mas falam que tenho qualificação demais. Ou seja, para a minha área não tenho qualificação e para outras vagas tenho qualificação demais”, relata.

O conselho do  executive coach Fabio Ge Alomzo é que o jovem tente vivenciar a profissão ainda durante a faculdade: “Oriento que o jovem saiba o máximo possível sobre a profissão que irá desempenhar, e se possível, que faça estágio. Se não houver essa possibilidade, sugiro que use seu network para passar um tempo em um ambiente de trabalho, com foco no ambiente, pares, líderes e observe o máximo de detalhes”.

O coach de carreiras e vida pessoal Jonnas Lima alerta para a importância de frequentar espaços que podem trazer oportunidades: “A dica de ouro para o jovem é sair de trás do computador. Hoje em dia, há uma falsa sensação que tudo pode ser resolvido virtualmente. Participar de eventos, feiras, congressos, cursos gratuitos relacionados ao setor que ele quer atuar e principalmente aproveitar esses momentos para se relacionar com as pessoas, seguramente vai contribuir para o ingresso no mercado. Trabalhos voluntários também podem contribuir para a construção de experiência profissional”, aconselha.

Taiany esbarra em uma dificuldade grande para seguir o conselho de Lima: a falta de verba para investir em cursos e participação em eventos: “Atualmente não estou fazendo nada, pois minha situação financeira não me permite pagar cursos. Quando é gratuito, eu participo, apesar de também precisar de dinheiro para passagens e alimentação, já que a maioria dos eventos dura o dia inteiro. Eu fico parada, sem poder me especializar pelo fato de estar sem trabalho. Já Isabelle tem conseguido investir em cursos graças ao apoio financeiro da família: “Enquanto eu não consigo uma vaga, estou fazendo uma pós-graduação e um curso de extensão. Se eu não tivesse esse apoio em casa, provavelmente já teria desistido”, conta.

Além dos jovens em início de carreira, profissionais que já tiveram vivencia profissional, mas saíram do mercado também enfrentam problemas para se recolocar. Para estes, a primeira dica do consultor Jonnas Lima é fazer uma análise do currículo: “A primeira coisa é cuidar do currículo. Hoje em dia, tem muito currículo “bonitinho”, mas que não ajuda o selecionador a encontrar o candidato. O recrutador não quer saber o CPF ou RG do candidato, ele quer saber como a trajetória do candidato vai resolver o problema da empresa. Outra coisa importante é não ter vergonha da sua meta. Hoje, a maioria das vagas são preenchidas através de indicação. É interessante falar para os amigos, os ex-colegas de trabalho, colegas da faculdade que você está buscando recolocação. Muitas vezes essas pessoas podem ajudar na recolocação, mas se elas não souberem que você está em busca de um novo desafio, a ajuda não ocorrerá”, avalia.

O especialista Fabio Alomzo recomenda que os profissionais estejam sempre prontos para eventuais mudanças na carreira, já que, às vezes, uma mudança de cenário torna-se necessária: “Existe uma tendência dos profissionais em navegar em ambientes nos quais sempre estiveram. Existem problemas que são simples, demandam pouca habilidade e conhecimento para superá-los, já outros que são mais complicados”, analisa.

Lima reafirma a tendência das mudanças constantes na carreira: “O profissional nos dias atuais precisa pensar no gerenciamento da sua carreira constantemente. Inclusive, quando esta empregado. É muito importante essa postura pró-ativa em relação à carreira. Para o profissional que trabalhou muito tempo num determinado setor ou atividade, é interessante ele refletir sobre como a experiência dele pode contribuir em outros mercados. Esse pode ser um bom indicativo para focalizar o novo ramo”, ressalta.

Para aqueles que pensam em mudar completamente de rumo, Lima recomenda que a atitude seja bastante pensada: “A transição de carreira é algo que deve ser planejado. Principalmente do ponto de vista financeiro. O ideal é que você tenha economias para pelo menos um ano de despesas pessoais, pois geralmente quando o profissional resolve mudar de ramo havia uma motivação maior, o que o faz voltar atrás é a questão financeira”, aconselha. Alomzo finaliza: “As mudanças estão acontecendo em um ritmo tão acelerado que podem acontecer inclusive no início da carreira do profissional, pois o mesmo já está propenso a mudar completamente de ramo”.

Imagem: Pixabay