Texto: Adriana Araujo

A SuperVia, concessionária responsável pela operação dos trens no Rio de Janeiro, implementou mudanças nos ramais de Deodoro, Santa Cruz e Japeri, no último dia 6 de março: a partir desta data, os trens extras que partem da estação Campo Grande pela manhã funcionam agora em regime parador. A medida gerou insatisfação nos passageiros do sistema ferroviário, que relatam transtornos, como trens mais cheios e viagens mais demoradas.

Uma das usuárias prejudicadas pela mudança é a estudante Evelin Magalhães, que mora em Padre Miguel e precisa se deslocar todos os dias para São Cristóvão. “Os paradores são opções inviáveis para quem, como eu, desce ao final da linha e pega o trem bem antes de Deodoro. Logo, nossa melhor opção sempre é o expresso, que encontra-se, indiscutivelmente, mais cheio!”, relata a jovem, que tem como única alternativa de transporte o sistema ferroviário.

A também estudante Rita Martins, que mora em Campo Grande e estuda na Tijuca, reforça que a mudança aumentou o tempo de viagem e a superlotação dos trens: “Minhas viagens até a estação de São Cristóvão demoravam entre 50 minutos e uma hora e eu vinha sentada. Com a mudança, a viagem demora uma hora e meia e sempre venho em pé”, comenta.

A mudança, segundo a concessionária, visa aumentar a oferta de lugares e eliminar a necessidade de transferência de trem. “A SuperVia esclarece que o novo planejamento implementado nos ramais Deodoro, Santa Cruz e Japeri proporciona um aumento de 190 mil lugares no sistema ferroviário, diariamente. Essa é uma das ações da SuperVia para seguir com seu compromisso de transformar o trem do Rio, atendendo a um maior número de pessoas e contribuindo com o desenvolvimento de ir e vir de cada passageiro”, diz a nota da concessionária.

A alteração havia sido programada pela SuperVia para ter início no dia 6 de fevereiro, mas, devido às reclamações dos usuários, foi adiada em um mês, tendo início na semana passada, o que vem gerando a insatisfação dos passageiros. A concessionária alega que as alterações estão sendo feitas em caráter experimental e que está aberta a receber a opinião dos usuários. Evelin Magalhães, porém, nega que a empresa leve as reclamações dos usuários em consideração.

“Eles deveriam consultar a opinião do usuário antes de implementar a fase de testes. Nós utilizamos o serviço todos os dias (eu utilizo há 11 anos, por exemplo). Nós sabemos o que torna a viagem mais longa, mais rápida, o que é mais ou menos confortável. Todas as fases de testes sempre são implementadas e eu não sei onde eles buscam a opinião dos usuários! O serviço está caríssimo e, mais um vez, péssimo!”, aponta a estudante.

Rita sugere, na contramão da mudança implementada, aumento da oferta de trens expressos no horário da manhã, horário de fluxo intenso de passageiros nas estações: “Seria muito bom se saíssem trens expressos pela manhã de todas as estações de maior porte, como Santa Cruz, Campo Grande, Bangu, Deodoro. Dessa maneira, todos os usuários conseguiriam se locomover mais rapidamente e com mais conforto”, finaliza a jovem.

Imagem: Marcelo Horn/ GERJ – http://fotospublicas.com/trem-nacional-adquirido-pela-supervia-entra-em-operacao-rio-de-janeiro/