Texto: Adriana Araujo

Na última quarta-feira, 17, foi divulgada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa JBS, uma gravação em que o presidente Michel Temer fala sobre compra de silêncio do deputado Eduardo Cunha a fim de evitar delações. O escândalo abalou a política nacional e as consequências já puderam ser sentidas na economia. A bolsa de valores chegou a suspender suas operações após queda de mais de 10% nas ações, na quinta-feira, 18. Os economistas Ademir Passos e Eduardo Bassin comentam as possíveis consequências do cenário político na economia do país.

Para o economista Eduardo Bassin, tanto a saída quanto a permanência do presidente Michel Temer na presidência deixam o cenário econômico instável. “Na hipótese dele continuar no poder, pode haver um sangramento semelhante ao que sofreu a ex-presidente Dilma Rousseff, o que trará mais instabilidade ao cenário econômico dado que a agenda econômica tende a ficar travada. A Constituição não prevê eleições diretas no caso de seu afastamento, o que nos permite supor que o próximo presidente continuará com uma agenda econômica ortodoxa”, prevê Bassin.

O economista e especialista em finanças Ademir Passos completa: “Em ambos os cenários, a situação econômica não se resolve no curto prazo. Isso porque, os indicadores da economia ainda não apresentaram crescimento. Tem que haver estabilidade política para atrair investimentos. Enquanto o Brasil não tiver segurança política, nossa economia estará diretamente afetada”, explica.

Uma das consequências da instabilidade no cenário político é o desestímulo de investimentos estrangeiros no país. “É importante observar que há dois tipos distintos de investimentos estrangeiros. O primeiro é o que chamamos de investimento em carteira, que são feitos em títulos do governo, ações de empresas negociadas em bolsa de valores, fundos de investimentos e tantos outros. O segundo tipo é o IED (Investimento Estrangeiro Direto), que são os investimentos em fábricas, rodovias, aeroportos e outros investimentos em capacidade produtiva. Os dois são importantes para a economia de um país. Os investimentos em carteiras são mais vulneráveis às crises e outros reveses, o que faz com que seu fluxo seja mais errático nestes momentos. Não é por outra razão que o IBOVESPA caiu fortemente logo após a divulgação da gravação envolvendo o Presidente Temer”, esclarece Bassin, que, no entanto, afirma que a economia brasileira ainda é forte e apresenta boas oportunidades de investimento. Segundo o economista, a projeção de Investimento Estrangeiro Direto (IED) divulgada nesta semana prevê o ingresso de 79,5 bilhões de dólares na economia brasileira.

O especialista em Finanças Empresariais, Ademir Passos, explica os efeitos causados pela desaceleração da economia para a população. “A desaceleração da economia, gera um círculo vicioso. Diminui a demanda por produtos, as empresas não produzem e consequentemente demitem ou não contratam. A maioria dos brasileiros e empresários estão sentindo neste momento a fase aguda da crise econômica. Numa desaceleração da economia, a tendência da inflação é de queda, mas por razões que não são ideais. A baixa da inflação é causada pela escassez de recursos na economia, o que significa que as famílias não estão comprando, empresas não estão produzindo e não estão contratando. O resultado disso é o aumento do desemprego”, declara Passos.

Para o empresariado, a dica dos economistas é ter cautela e manter uma análise constante dos números da empresa para saber quais as possibilidades. “A economia brasileira está fortemente abalada pela questão política. E enquanto não houver uma definição clara do cenário, todo cuidado é pouco. A recomendação é esperar o desdobramento da definição política. Para o empresário que tem suas atividades em andamento, a recomendação é cautela, muito cuidado com os resultados da empresa para não reduzir seu capital de giro. O sinal de alerta deve ser ligado logo que identificado um resultado negativo nas contas”, alerta Passos. “O empresário precisa ter todos os números da empresa muito claros. Não basta saber o total do faturamento e o total de despesas. Com a estrutura econômico-financeira da empresa profissionalmente elaborada, a tomada de decisão fica mais clara e o empresário tem todas as condições de se destacar da concorrência, seja através dos resultados da sua atual empresa ou por meio de novas frentes”, completa Bassin.

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