Texto: Adriana Araujo

“Os consumidores podem agora comprar e trocar entre si, muitas vezes sem comprar diretamente das marcas.  As pessoas se conectam digitalmente e promovem negócios entre elas. As marcas agora são coadjuvantes.” Esta é uma das características da economia colaborativa, segundo o especialista em Marketing Gabriel Rossi, que destaca a necessidade dos empreendimentos de se adaptarem às novas tendências de consumo: “Alguns planos de negócio começam a ficar irrelevantes, fazendo com que as corporações e empreendedores precisem ser criativos e reavaliem suas estratégias, passando a alugar, emprestar ou até mesmo presentear consumidores com seus produtos e serviços”, avalia.

Atentos ao novo ritmo do mercado, dois empreendimentos fixados nos pilares da economia compartilhada são exemplos de sucesso do modelo: o escritório de Arquitetura, Urbanismo e Design, “Maloca Querida”, e a plataforma de troca de hospedagem em casas de família, “BeLocal Exchange”.  

“A empresa ‘Maloca Querida’ é um escritório de Arquitetura, Urbanismo e Design com foco no desenvolvimento de projetos e atua há 4 anos no mercado. Nossa prestação de serviços possui um olhar atento ao potencial de transformação de um em espaço. Unimos criatividade e sustentabilidade a serviço dos pedidos e desejos de quem nos contrata. Planejamos e reunimos todas as soluções para que o projeto saia do papel e concretize o espaço transformado da melhor maneira possível”, define uma das sócias do escritório, Denise Assumpção. O escritório de arquitetura funciona em um espaço de coworking, mais um dos recursos do modelo de economia colaborativa.

A outra sócia do escritório “Maloca Querida”, Leila Leme, fala sobre a experiência de trabalhar em um espaço compartilhado com outras empresas: “Trabalhar em um espaço de coworking ajuda a fortalecer a rede de parceiros e amplia a possibilidade de novos clientes, além de facilitar trocas de experiências e desafios ligados ao mundo do empreendedorismo. A principal vantagem para o negócio é que o coworking funciona como uma vitrine: seu negócio está sempre à mostra e há sempre pessoas circulando, sejam empresas do próprio coworking, clientes, parceiros e até mesmo visitantes”, avalia.

Já a “BeLocal Exchange”, se insere em um contexto trazido pela economia colaborativa: a valorização de experiências. “A ‘BeLocal’ foi lançada em outubro de 2016 para promover um novo estilo de viajar, sem gastos com hospedagem e de um jeito mais autêntico, que permita explorar uma cidade como um morador local. Somos a primeira plataforma online latino-americana de troca de casas, e nosso objetivo é estimular no Brasil e em outros países do continente uma prática já bastante consolidada em outras regiões: o turismo compartilhado. É bem simples: uma família troca sua casa pela de outra pessoa durante o período de férias. sem custo já que a troca de casa não envolve troca de dinheiro entre os associados, apenas uma anuidade para fazer parte do clube. A ‘BeLocal’ baseia-se em uma relação de reciprocidade e confiança mútua, no compartilhamento de recursos e num novo estilo de consumir, com relações colaborativas e sustentáveis”, conta a fundadora da plataforma, Andrea Aguiar.

Segundo Rossi, a economia colaborativa ainda está em processo de desenvolvimento no Brasil, mas deve ganhar muito espaço nos próximos anos. “Com o gradual fortalecimento da cultura digital novos caminhos serão apontados. Principalmente veremos novas startups criando plataformas que conectam pessoas fazendo transações com outras pessoas e com o apoio de marcas já consolidadas. A corrente veio para ficar, especialmente porque é regida por três grandes forças: social, pois as pessoas compartilham mais; econômica, pela escassez de recursos, e tecnológica, com a ascensão de uma geração, a partir de 1989, que cresceu com a internet e se conecta com outras pessoas em proporções muito maiores do que antes”, antevê.

As sócias do escritório “Maloca Querida” veem o modelo de economia colaborativa como uma ferramenta de potencialização da oferta de serviços personalizados, criativos e inovadores. “Acreditamos que a economia colaborativa proporciona ampliar o leque de atuação da sustentabilidade e fazer com que a transformação de um espaço se dê de maneira mais articulada. Qualquer modelo mais tradicional acaba nos levando a ter uma receita de bolo do processo, matando a nossa criatividade, nos tirando do nosso lugar de potência. Claro que temos processos e técnicas, mas cada solicitação nos faz pesquisar, buscar soluções inovadoras e entender como podemos tirar do papel um sonho com o maior impacto positivo para o meio ambiente e social”, avaliam Denise Assumpção e Leila Leme.

Andrea Aguiar, fundadora da plataforma “BeLocal Exchange” acredita que a economia colaborativa traz possibilidades e visa atender um público consumidor que tem novas preocupações: “Acredito realmente que estamos vivendo uma transformação. As pessoas estão repensando a forma como lidam com bens materiais, e realmente valorizando mais a experiência do que a posse, um dos pilares da economia colaborativa. A crise também nos fez repensar em como utilizamos o nosso orçamento. Muitas pessoas têm casas de férias que ficam fechadas durante a maior parte do ano ou são alugadas apenas em períodos de alta temporada, há uma ociosidade imensa desses bens que pode ser transformada em vantagens para toda a família”, reflete.  

Completando o raciocínio das empresárias, o especialista em Marketing, Gabriel Rossi pondera sobre os efeitos dessa tendência em termos práticos para o consumidor: “Com o fim de intermediários, há uma redução plausível da burocracia em qualquer setor. Ademais, com a economia colaborativa em voga, as empresas precisarão inovar muito mais, repensando seus modelos de negócio. No final das contas, isso injetará dinamismo na economia e mais competição: o consumidor agradece.” conclui

Imagem: Pixabay