A geração de dados é feita de forma espontânea por usuários da internet o tempo todo, por meio de ações simples como uma pesquisa no Google ou navegar por redes sociais. Esses dados compõem o chamado Big Data e são coletados pelas empresas para direcionamento de produtos e serviços adequados ao público-alvo correto.

O sócio-proprietário da By3 comunicação+design, Paulo Braga, resume o conceito: “Big Data é o grande conjunto de informações presentes na internet; em bancos de dados de servidores de empresas, instituições, ferramentas sociais​ e que podem ser reunidos e interligados remotamente. O Youtube é um tipo de banco de dados, Wikipédia também. Big Data é reunir isso tudo e analisar, utilizando esta análise como suporte à decisão”, define.

O presidente da unidade regional de Brasília da Associação Brasileira de Agências Digitais (ABRADi-DF) e sócio da Folks Netnográfica, Bernardo Fernandez, explica como os dados são coletados e como podem ser transformados em informações para as empresas: “Existem muitas formas de coletar dados sobre as pessoas para serem usados pelo Marketing. Redes sociais que você visita, seus celulares, seus computadores pessoais, suas buscas no Google, os aplicativos que você usa, os sites que você lê, todas estas fontes e equipamentos trocam, coletam ou armazenam dados a medida em que você os usa. Sem que você nem se dê conta, os robôs do Marketing, que leem dados, começam a saber tudo sobre seus interesses, comportamentos e relacionamentos. Daí, você começa a receber ofertas que nunca pediu, mas que têm a ver com o que você estava pensando – por exemplo, onde passar as férias, que notícias ler, que pessoas convidar para serem suas amigas nas redes sociais, que páginas seguir, que descontos aproveitar em produtos de que precisa… É assim que o Marketing tem mudado, tudo por causa do Big Data”, explica.

O sócio da By3 comunicação+design explica que a coleta de dados é importante para as empresas na tomada de decisões estratégicas ”O uso do Big Data possibilita caminhar com mais segurança na criação de projetos de produtos e serviços, no desenvolvimento de campanhas, nas decisões sobre o futuro de empresas e instituições. O Big Data é essencial para todo o andamento da empresa, visto que, cada vez mais, todo passo se torna estratégico.​ Uma empresa que olha para ao futuro não pode ter nenhuma ação que não seja pensada estrategicamente”, analisa Braga.

“A grande vantagem [do uso do Big Data] está em encontrar respostas e caminhos mais curtos para processos estratégicos. Ter acesso aos dados é o primeiro passo. O mais importante é analisar esses dados e encontrar respostas para as dúvidas e questionamentos do processo de decisão da empresa em situações como: Nosso produto está sendo direcionado ao público certo? O público está entendendo a proposta de valor deste produto?”, complementa Braga.

O sócio da Folks Netnográfica, Bernardo Fernandez lembra que o uso do Big Data deve ser feito com parcimônia para não obter efeito contrário no consumidor: “Se as empresas forem inteligentes e aprenderem a usar todas essas informações sem invadir, sem incomodar, sem bisbilhotar indevidamente e sem deixar o consumidor desconfiado ou irritado, então poderão vender mais e melhor”, alerta.

Para o consumidor, a geração de dados pode trazer como vantagem a facilidade de encontrar produtos e serviços voltados para seus interesses de forma mais rápida e eficiente. Braga explica que atualmente as empresas devem focar em atender a necessidade do consumidor. ​”Esta deve ser a grande proposta de valor da empresa: foco no ser humano. Quem não seguir essa proposta, não vai conseguir. O foco no lucro é coisa do passado. O foco deve estar nas necessidades e desejos dos seus consumidores”, esclarece.

Fernandez alerta que as empresas devem estar atentas ao bom atendimento, uma vez que, hoje, os consumidores têm grande poder por conta das redes sociais, por exemplo. “Se as empresas forem intrusivas, inconvenientes e repetitivas poderão ver suas reputações inteiramente destruídas em um piscar de olhos. Afinal, os consumidores também sabem se comunicar, aprenderam a se conectar uns com os outros, a usar a tecnologia móvel para botar a boca no trombone, denunciar, reclamar e se organizar”, conclui.

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Imagem: Pixabay

Texto: Adriana Araujo