No último dia 28 de junho, as reitorias da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (UEZO) e Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF) se reuniram para debater as condições de funcionamento das instituições de ensino superior do estado. O encontro resultou na publicação de um manifesto expondo a situação de crise em que se encontram as universidades e um pedido ao governo do estado: a resolução imediata de problemas como o pagamento de salários e bolsas atrasados. 

Assim como as outras universidades estaduais, a Uezo sofre com atraso no pagamento de bolsas dos estudantes e salários de professores e técnicos-administrativos. A pró-reitora da Graduação da Uezo, Vânia Lúcia Muniz, detalha a situação: “Não há autorização para pagamento de bolsas próprias da Uezo. Mas as bolsas da Faperj, bolsas permanência (cotistas) e os salários de docentes e demais funcionários estão atrasados. Além de estarmos lidando com o desânimo pela sua própria desvalorização, não há calendário ou previsão para a integralização do mês de abril e o pagamento dos demais meses, bem como o 13º salário de 2016. A falta de salário impossibilita sua presença todos os dias, já que implica em gasto com transporte e alimentação”.

O período letivo referente ao segundo semestre do ano passado, 2016.2, teve início no dia 13 de março e tem término previsto para o próximo dia 14 de agosto, com 103 dias letivos. O próximo, 2017.1, terá início no dia 1º de agosto, com apenas 75 dias letivos, o que prejudica os alunos, segundo Vinicius Tavares, secretário geral do Diretório Central Estudantil (DCE) da Uezo. “Temos receio de perda na qualidade do ensino, uma vez que os professores terão menos tempo para ministrar o mesmo conteúdo, principalmente em disciplinas que são tradicionalmente puxadas. O semestre promete ser atípico, o que compromete o rendimento de alunos que já possuem dificuldades como trabalhar, morar longe, acarretando em tempo insuficiente para estudar. O estresse agrava crises de ansiedade, qualidade de sono, criando um círculo vicioso perigoso. O DCE entende que é preciso ‘correr atrás’ do tempo perdido, para igualar o ano letivo com o ano civil, que, no momento, é a única saída viável, apesar dos problemas gerados. No momento, esperamos sobreviver a isso”, declara Tavares.

As reivindicações da Uezo são antigas e vão além da crise orçamentária estadual atual. O campus próprio da instituição, que funciona atualmente nas dependências do Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK), é a principal demanda e sem ele não é possível o funcionamento ideal da universidade. “Muitos dos nossos problemas esbarram no fato de a UEZO não ter um campus próprio. Não temos espaço suficiente para nossas demandas. Há equipamentos que estão há anos desmontados, pois não há espaço para entrar em operação. Além disso, por funcionar dentro de uma escola estadual, o IESK, ficamos numa desconfortável situação de ter de pedirmos autorização à direção do colégio para realizarmos algumas intervenções, como pintura e reforma, e até mesmo para utilizar o auditório. Além do campus, de imediato precisamos de investimentos que garantam o pleno funcionamento da instituição, material e reagentes para uso em aulas práticas, manutenção dos laboratórios didáticos e condições para atividades em campo”, explica Tavares.

Para a pró-reitora da Graduação, Vânia Lúcia Muniz, é importante que as demandas sejam atendidas, mas que se tenha uma mudança de postura em relação à Uezo, para que seja possível a consolidação da instituição. “Hoje temos os serviço básico, o que possibilita condições sobrevivência para não fechar completamente as portas, mas as reivindicações são as mesmas, pois nada foi atendido em termos de consolidação da Instituição. Acima de tudo, não há valorização do ser humano, não há valorização do profissional, portanto, não há valorização dos estudantes da Uezo. Esta desvalorização resulta em evasão de docentes, sucateamento e possível crise institucional. Creio que, enquanto o ser humano não estiver em primeiro lugar, será impossível reduzir a precarização de uma forma geral. A sua valorização permite a projeção de futuro, a construção individual e conjunta, além de possibilitar perspectivas de trabalho e de vida! Dez anos atrás já existiam debates sobre a Uezo e de como não se cria uma universidade apenas no papel. Então fica a pergunta:  O que reservam para nós e para a Zona Oeste? Sendo a Zona Oeste tão populosa e uma das maiores contribuintes de ICMS, qual será o motivo de tanto descaso?”. 

Leia o manifesto das universidades públicas: 

http://www.uezo.rj.gov.br/mais_noticias/2017/junho/docs/Manifesto%20FINAL%20das%20Universidades%20Estaduais%20RJ.pdf

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