Na última semana, o governo anunciou um aumento na tributação dos combustíveis, visando a elevação da arrecadação. A gasolina teve acréscimo de R$ 0,41, por litro, o diesel subiu R$ 0,21, por litro, e o etanol ficou R$0,20 mais caro. Durante esta semana, um juiz de Brasília suspendeu o aditamento, mas a decisão judicial foi derrubada, de modo que o reajuste continua a valer. O consumidor já sente o peso no bolso na hora de abastecer seu veículo, pois o valor já foi repassado para as bombas em postos de gasolina de todo o país.

O economista Eduardo Bassin explica o impacto da elevação do preço dos combustíveis não apenas na hora de encher o tanque, mas na economia em geral: “Um aumento no preço dos combustíveis é sempre uma questão delicada para a atividade econômica em função da essencialidade daquele insumo. Como todas as atividades econômicas dependem dos combustíveis, direta ou indiretamente, é possível que haja repasse aos preços pagos pelos consumidores. Certamente este repasse dependerá do grau de concorrência e das margens praticadas por cada setor”, explica.

O economista especialista em Finanças Empresariais, Ademir Passos, esclarece os setores que poderão ser mais afetados pela alta dos preços: “O próprio setor de transporte será o primeiro a ser afetado, pois ele precisa levar produtos, matéria prima a toda a cadeia de suprimentos de um ponto a outro e isso demanda combustível.
A indústria de embalagens é outro setor a ser afetado em primeiro plano, uma vez que atendem as demandas industriais antes mesmos da venda de seus produtos. Outros dois setores que irão sofrer os impactos do aumento dos combustíveis são o setor de bens perecíveis, que exigem alta rotatividade, como os alimentos – e o setor de bens de primeira necessidade, para os quais não é possível deixar de comprar”, elucida Passos.

Adotada para aumentar a arrecadação e cumprir a meta fiscal fixada para 2017, a medida deve funcionar a curto prazo, mas pode causar impacto econômico em um período de tempo maior, de acordo com Passos: “Para cumprimento da meta fiscal pode até ser que o governo consiga seu objetivo. Apesar desse aumento, o índice de inflação deve permanecer dentro da meta, haja vista a demanda reprimida, ou seja, não deve afetar a inflação e a taxa básica de juros deve continuar a cair. No entanto, do ponto de vista econômico é uma pá de cal que o governo joga no processo produtivo, inibindo o pouco resultado que estava começando a aparecer por conta do ajuste fiscal feito no passado e o teto de gastos aprovado. A atividade econômica, a qual gera todo o ciclo econômico e produtivo do país, está sendo duramente afetada. Aumentar impostos nesse momento e não buscar redução dos gastos do governo assim como outras alternativas de fomento à produção vai asfixiar o setor produtivo, inibir o consumo e reduzir a receita do governo”, declara.

A alta nos preços dos combustíveis causa impacto notável ao consumidor brasileiro, pois há dificuldades em adotar outros meios de locomoção em substituição ao uso do carro, segundo Bassin: “É comum nas sociedades mais maduras que as pessoas se locomovam à pé ou através de bicicletas, o que tem um ótimo efeito para a saúde e para o orçamento doméstico. Em sociedades periféricas, como a brasileira, a locomoção através de automóveis próprios ainda é vista como o ápice da conquista material, o que dificulta a adoção de alternativas sustentáveis”, finaliza.

 

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