“A definição no dicionário de compliance é ‘o ato ou fato de cumprir com um desejo ou comando’. No caso de empresas financeiras, se refere ao cumprimento de regras pré-estabelecidas por órgãos reguladores”. A declaração é de Livia Cassel, diretora da CambioReal, empresa especializada no envio de remessas para o exterior.

O objetivo do compliance é manter a regularidade das ações dentro de uma empresa. “Apesar de ser um termo relativamente novo no Brasil para a maioria das empresas, não cria algo totalmente novo, uma vez que as organizações e pessoas sempre tiveram a necessidade de estar em conformidade com todos os regulamentos em que estão inseridas. Hoje, há uma grande preocupação com o risco de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro, entre outros, o que fortalece ainda mais o tema e faz com que mais organizações repensem seu lado compliance”, explica  Sérgio Oliveira, especialista em Auditoria e Riscos da Crowe Horwath.

Segundo os especialistas, os profissionais que costumam atuar na aplicação do compliance estão ligados às áreas jurídica e financeira, como contadores, especialistas em controladoria e auditoria interna. Para os empresários interessados na criação de um setor voltado para a prática em seu empreendimento, Oliveira aponta o caminho a seguir: “Os primeiros passos são a criação ou atualização de um código de conduta e a criação de um canal de denúncias – essas duas ações já demonstram ao público interno que a organização está em busca de uma maior conformidade com as boas práticas de governança corporativa e acompanhará mais de perto as ações de seus colaboradores. A criação do canal de denúncias, já comum em algumas organizações, passa a ser uma tendência cada vez mais forte por aumentar a possibilidade de identificar uma possível conduta que não está em conformidade com os objetivos da organização ou que descumpre alguma legislação”, detalha.

Para o especialista em Auditoria e Riscos, todas as empresas, mesmo as menores, podem aplicar práticas de compliance, uma vez que devem estar em conformidade com a legislação e ter códigos de conduta internos a serem obedecidos. “O compliance será cada vez menos um tema exclusivo de grandes corporações, pois muitas organizações de menor porte, familiares, associações, entre outras, estão buscando melhores práticas de governança, o que significa estar em “compliance” também”, pontua Oliveira.

As empresas que adotam a prática do compliance contam com garantias de que suas as corporações estão realizando os procedimentos necessários da forma mais adequada. “É importante para garantir que todas as operações estejam dentro da lei. O compliance garante a segurança e a tranquilidade tanto da empresa quanto do cliente”, atesta a diretora da CambioReal, Livia Cassel. “A importância [do compliance] está diretamente relacionada aos riscos em que a empresa incorreria ou incorrerá por não estar em conformidade com determinada lei ou regulamento, podendo esse risco se refletir de várias formas, como risco financeiro, de imagem, operacional, entre outros. As consequências dessa não conformidade podem ser bem maiores do que os investimentos e esforços aplicados na estruturação do compliance”, finaliza Oliveira.

 

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