Uma rápida busca no Booking, site de reservas de hospedagens revela rapidamente que Campo Grande tem pouquíssimas opções de hospedagem. Em Pedra de Guaratiba, bairro com uma cultura pesqueira bastante consolidada e grande potencial para atrair visitantes, não tem situação muito melhor: a oferta de hotelaria também é bastante escassa. Apesar de estar afastada da área tradicionalmente turística da cidade, a Zona Oeste vivenciou um crescimento de oportunidades no setor hoteleiro, principalmente devido ao mega evento que a cidade sediou há quase um ano: as Olimpíadas Rio 2016, nas quais parte dos eventos foi sediada na Barra da Tijuca, o que atraiu grandes investimentos para a região. Segundo especialistas, os eventos são justamente o que atraem visitantes para uma região e consequentemente investimentos hoteleiros.

Para o presidente da Associação de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro (ABIH-RJ) e do Sindicato dos Hotéis do Município do Rio de Janeiro (SindHotéis Rio), Alfredo Lopes, Campo Grande pode investir na realização de eventos para atrair visitantes levando em consideração características do bairro. “Existem dois tipos de Turismo, o de lazer e o negócios. Então, eu diria que qualquer região tem condições de atrair investimentos em hotelaria desde que desenvolva algum desses dois tipos de turismo, ou até mesmo os dois. No caso de Campo Grande, por exemplo, pode ser pensado em turismo de lazer a partir da criação de polos voltados para comidas típicas, ou passeios a cavalo. Algum serviço que incentive a visita e gere distração, montar um calendário de atrativos. Festivais de cachaça ou de cerveja, por exemplo. Ali perto tem sítio, fazenda, estradas não pavimentadas que podem ser bons espaços para leilões de animais”, sugere.

O especialista em Marketing Turístico e fundador do GuiaViajarMelhor.com, Gustavo Albano, fala sobre a experiência de cidades pequenas que investiram em eventos ou empreendimentos para atrair visitantes e como isso pode servir de exemplo para Campo Grande: “Existem várias formas de tornar uma região pequena em um destino turístico, se a região não dispõe de atrativos naturais, outras estratégias podem atrair um turismo regional (de cidades próximas) ou um turismo de negócios e lazer, investindo em outros setores como feiras, eventos, festivais ou até mesmo atrações maiores. A criação de atrações turísticas também podem atrair números elevados de visitas. Em Aquiraz, no Ceará, o Beach Park é um parque aquático e se consolidou como atrativo âncora na cidade. Hoje, mais de 30 anos depois da inauguração do parque, o município de Aquiraz se tornou uma zona hoteleira com dezenas de hotéis, pousadas e casas para temporada. Em 2016, apenas o parque recebeu mais de 1,1 milhão de visitantes, sendo a maioria turistas brasileiros de outros estados e turistas estrangeiros que precisam dos serviços de hospedagem durante a viagem”, exemplifica.

Além da possibilidade de investir em eventos voltados para lazer, o turismo de negócios é uma área com potencial para movimentar o setor hoteleiro. “Algumas cidades dependem exclusivamente do turismo de negócios, como é o caso de São Paulo, uma das cidades que mais recebe turistas do Brasil e detém 42% desse mercado no país. Em 2016, foram mais de 16 milhões de visitantes em feiras, congressos e eventos na capital paulista, segundo o Convention & Visitors Bureau. Esses números expressam a força desse mercado que também pode oferecer um impacto positivo em pequenas cidades”, avalia Gustavo Albano.

A presença de fábricas e indústrias em Campo Grande pode ser um primeiro passo para organização de eventos de negócios no local, segundo o presidente da ABIH-RJ. “A região tem potencial pra turismo de negócios, pois tem muitas indústrias e fábricas. Além dos centros de convenções das fábricas, poderiam ser organizados incentivos de visitação dos centros de compras. Tudo precisa ser organizado para formar um calendário de negócios e outro de lazer, para viabilizar a atividade turística na região”, finaliza Alfredo Lopes.

 

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