As campanhas de financiamento coletivo se tornaram populares no Brasil nos últimos anos visando arrecadar fundos para as mais diversas finalidades, inclusive para viabilizar empreendimentos. A empresária e produtora cultural Ana Ferguson fala sobre o surgimento e popularização das campanhas: “O financiamento coletivo vem sendo utilizado com maior frequência e conhecimento popular desde 2005, mais especificamente nos EUA, para obtenção de recursos para filantropia. No Brasil, os movimentos mais conhecidos são os projetos “Criança Esperança” e “Teleton”, porém, as plataformas tornaram-se populares a partir de 2011, com a mais conhecida delas, a Catarse”, explica.

Para especialistas, campanhas voltadas para causas sociais, como as citadas acima, ainda são as mais populares entre os adeptos da colaboração, mas o potencial para captação de recursos para empreendimentos começam a despontar. “As pessoas ainda se identificam mais com campanhas que possuem um apelo mais emocional, voltado a causas e pessoas do que a empresas e startups. Isso vem mudando, principalmente com a nova regulamentação emitida pela Comissão de Valores Mobiliários. Mas ainda é um mercado nascente, com grandes oportunidade de negócio e de alavancagem para os empreendedores”, avalia Vinicius Carneiro, advogado e autor da obra “Dinheiro na Multidão” –Oportunidades x Burocracia no Crowdfunding Nacional”.

Esse aspecto faz com que negócios voltados para causas que tragam algum impacto social tenham maiores chances de atrair colaboradores, segundo Maria Cristina Bernardo, fundadora do blog Mães Empreendedoras. “As campanhas que buscam um benefício coletivo ou algo que promova um impacto social positivo de um determinado grupo tendem a ter mais adeptos. Nesse sentido, empresas que tem um propósito social também tendem a ter mais interessados em investir”, completa a empresária. Produtos voltados para o mercado de cultura também tem boa adesão. “No Brasil, os produtos destinados à cultura pop, como games, documentários e laboratórios coletivos são os que mobilizam maior parte dos envolvidos, obtendo financiamento muitas vezes superior ao que pediram”, exemplifica a produtora cultural Solange Bighetti.

Para ter maiores chances de atrair investidores existem determinados pontos a que os empreendedores precisam estar atentos na criação da campanha. “Em primeiro lugar uma boa equipe e uma apresentação clara dos objetivos da nova ideia ou empresa. Imagine que as pessoas vão conhecer seu produto ou serviço pela internet, então, elas precisam conseguir entender com clareza e objetividade qual a finalidade do financiamento coletivo, onde será aplicado o dinheiro e o mais importante: qual a melhoria que esse produto ou serviço traz para a vida dessas pessoas na forma de uma empresa a ser investida. Outro fator importantíssimo é o profissionalismo e a maneira de abordar esses investidores, antes, durante e depois do lançamento da campanha. As pessoas não tomam decisões de investimento com pressa, então quanto maior a explicação e o envolvimento com a empresa, melhor” explica Carneiro. Mobilizar o sentimento dos possíveis colaboradores e ter um bom plano de comunicação também é necessário. “O projeto precisa ser capaz de despertar a paixão das pessoas, ter uma boa estratégia de comunicação que possa ajudar a divulgar a proposta mobilizando suas redes e trazendo novos colaboradores”, finaliza a especialista em Gestão de Pessoas, Maria Cristina Bernardo.

Segundo os especialistas, as campanhas de financiamento coletivo já podem ser consideradas uma tendência para obter recursos e até mesmo para atrair sócios para empreendimentos. [O financiamento coletivo] é uma tendência e, na verdade, é mais uma alternativa para um mercado com tantas restrições de crédito como se tornou o Brasil. Com a crise, os bancos limitaram absurdamente o acesso ao crédito, e as empresas iniciantes ou pequenas são as mais afetadas. A grande verdade é que os bancos em geral não dão atenção ao plano de negócio das empresas e empreendedores, e as campanhas de financiamento coletivo possibilitam que os investidores entendam diretamente a proposta, os objetivos, os riscos e principalmente o potencial de mercado”, elucida o advogado Vinicius Carneiro.

A empresária Maria Cristina Bernardo explica o uso das campanhas de financiamento para despertar o interesse de sócios: “A modalidade, chamada de equity crowdfunding, acontece como um investimento colaborativo. Neste formato, as empresas de pequeno porte lançam seus projetos e os investidores podem comprar participações via plataformas online.  As startups fazem a captação pública de investimentos para financiar sua operação, atraindo pequenos investidores que podem aplicar a partir de R$ 1 mil”, explica.

 

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