A história do bairro de Campo Grande será contada no desfile de carnaval da escola Mocidade Unida de Manguariba, em 2018. O carnavalesco da agremiação, Galileu Santos, conta como surgiu a ideia do enredo. “Na época de faculdade, existiu uma ideia de projeto. Como eu moro aqui, quis falar no trabalho sobre Campo Grande, mas morreu o assunto e guardei. Amo Campo Grande, sou criado em Madureira, mas me formei e cresci aqui. Nada mais justo que mostrar meu bairro. Vamos contar desde os índios, a passagem dos colonizadores até os dias de hoje. Campo Grande cresceu muito e hoje ocupa um lugar de destaque no estado. O foco é o crescimento e a força do bairro e tudo de bom que ele oferece”, detalha o carnavalesco.

O desfile acontecerá na Avenida Intendente Magalhães, na Zona Oeste. A Mocidade Unida de Manguariba está no segundo grupo dos blocos que desfilam junto à Federação dos Blocos do Estado do Rio de Janeiro (FBCERJ). A agremiação surgiu no ano 2000, idealizada por um grupo de amigos do bairro com a ideia de brincar o carnaval daquele ano. Hoje, a escola soma duas vitórias e um vice-campeonato.

Galileu Santos conta como começou sua história com a agremiação: “Comecei aqui minha história, era desfilante. Um ano me convidaram para ser carnavalesco e eu disse que não sabia fazer isso! Mas aceitei ajudar, pois desfilava na Portela. Criei o enredo “Sonho de Criança”, mas não falei de alegria, falei de prostituição infantil, fome etc. Ficamos em primeiro lugar. Comecei a fazer cursos de desenhos, até chegar na faculdade. Hoje sou formado em Gestão de Carnaval pela Estácio de Sá. Agora vou fazer pós-graduação na Veiga de Almeida. A maioria dos enredos foram meus, ou tem influência minha. Destaco os enredos de 2012, sobre a grande carnavalesca Rosa Magalhães, que foi campeão, e “Sonho de Criança”.

As ideias do carnavalesco para Campo Grande vão além do desfile. Ele sonha com a construção da quadra da escola, que poderá abrigar projetos sociais voltados para a comunidade local. “Precisamos de ajuda de parceiros e empresas que possam nos auxiliar a erguer esse legado para o povo. As ideias de projetos são diversas, cursos de desenhos, maquiagem, figurinos, cenário, ferragem, percussão, adereço, chapelaria, entre outros voltados ao carnaval. O benefício é plural, abrange toda a comunidade, não só local, mas regional. Campo Grande cresceu, mas existem ainda classes menos favorecidas em nossas adjacências. Queremos deixar um legado ao povo da Zona Oeste. Profissionalizar jovens, tirando-os da linha de risco, focando sempre o lado profissional da questão, de forma gratuita, porém precisamos de espaço e profissionais para viabilizar essas ideias”, explica Santos.

O desfile do ano que vem já está encaminhado. Segundo Galileu Santos, os carros alegóricos e fantasias já estão desenhados, assim como o roteiro da apresentação. O samba está em fase de criação por diversos compositores para que um seja escolhido.  “Teremos dois carros alegóricos, dois setores e uma média de 350 a 500 componentes”, conta o carnavalesco. “Se tudo sair como pretendo, com ajuda financeira ou matéria prima, levaremos um dos meus melhores trabalhos, fantasias maiores e mais elaboradas, alegorias com efeitos e iluminação entre outros artefatos. Campeão de novo!”, almeja Santos.

 

Imagem: http://www.yoshidatur.com.br/portfolio-view/rio-de-janeiro-carnaval/