A Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) participa nesta quarta-feira, 23, do ato “Integra Uezo – A Universidade que Queremos” em defesa da educação superior estadual, na estação de trem de Campo Grande, a partir das 12h, e dentro da universidade para divulgar e debater as pautas da Uezo. “O ato está sendo organizado pelos seguimentos docente (Aduezo), discente (DCE) e técnico (Sintuperj – Delegacia da Uezo). As instituições do estado do Rio de Janeiro realizarão atos coordenados convocando toda a população para defender as Universidades Públicas Estaduais. Estão todos convidamos para se juntar à UEZO no ato externo e também no interior da Universidade para defender aquilo que a todos nós pertence!”, convoca a pró-reitora da graduação da Uezo, Vânia Lúcia Muniz. “Esperamos trazer maior visibilidade para nossa universidade, que ainda não é tão conhecida na região. Também queremos mostrar que apesar da quitação dos salários, nossa situação não está normal, pois ainda temos muitas pautas básicas para serem aprovadas”, completa o secretário geral do Diretório Central Estudantil (DCE) da Uezo, Vinicius Tavares.

A Uezo retomou suas atividades nesta segunda-feira, 21, após uma suspensão no calendário acadêmico, que deveria ter sido iniciado no começo do mês de agosto. “Em 02 de agosto de 2017 o Conselho Superior da UEZO decidiu pela suspensão das atividades acadêmicas da graduação no período de 03 a 18 de agosto de 2017, em virtude dos atrasos nos pagamentos dos salários dos servidores nos meses de maio, junho, julho e 13º salário de 2016, bem como o pagamento das bolsas dos cotistas, fatores que impossibilitavam o pleno funcionamento da universidade. Na mesma reunião foi decidido o retorno em caso de regularização do salário. Apesar de ainda não ter ocorrido o pagamento do 13º de 2016, os salários dos servidores, bem como as bolsas dos alunos cotistas foram pagos semana passada e assim, o Conselho Superior da UEZO voltou a se reunir no último dia 18 e resolveu retornar às atividades da graduação, a partir do dia 21 de agosto de 2017. Os custos de manutenção estão com atraso, mas ainda dentro do prazo regulamentar que possibilita o funcionamento. Sendo assim, a Uezo retornou ao funcionamento já que as condições mínimas foram restabelecidas”, explica a pró-reitora da graduação.

O calendário acadêmico desse período de 2017. 1 também está mais enxuto, a fim de se adequar mais rapidamente ao calendário civil. Ainda assim, o período referente ao segundo semestre de 2017 será realizado no início de 2018. “Nossa expectativa é um semestre corrido, com matérias recheadas de conteúdos importantes que exigem maior dedicação, que ficarão com ‘’pontos’’ sem o devido aprofundamento e atenção que exigem. Além disso, devido o atraso no calendário, 2017.2 também será reduzido a 75 dias, fazendo com que passemos por outro semestre corrido. Apesar de termos excelentes professores junto com uma excelente universidade, é preciso ressaltar que o tempo de dedicação aos conteúdos é primordial em nosso aprendizado. Com o calendário corrido e apertado, nos é gerado maior estresse, menos tempo para absorvermos as matérias, horas reduzidas de sono entre outras coisas prejudiciais a nossa saúde mental”, pontua Millena Muniz, da Coordenadoria de Comunicação do DCE.

Apesar do pagamento dos salários e bolsas atrasadas, o que permite o retorno do funcionamento da Uezo, as demandas para um funcionamento pleno da universidade ainda não foram atendidas. “Hoje temos o serviço básico, o que possibilita condições de sobrevivência, mas como já coloquei anteriormente, as reivindicações são as mesmas, pois nada foi atendido em termos de consolidação da Instituição. Não há plano de cargos e carreiras, o que significa que não há qualquer evolução funcional, não há justiça na remuneração segundo os cargos, responsabilidades e resultados gerados, bem como não há práticas salariais compatíveis com os segmentos e cargos similares. Esta desvalorização resulta em insatisfação e perda de qualidade, resulta em evasão de docentes, sucateamento e possível crise institucional. Não há recursos humanos suficientes, nem administrativo, nem docentes, nem técnicos! Não há autorização para funcionários administrativos temporários ou efetivos. O que ocorre é a negativa reiterada de posse apenas 16 docentes concursados, a maioria, desde 2014, para substituição de outros que saíram por motivos diversos. E a evasão vai aumentando. Há docentes licenciados por motivo de doença, mas não há autorização para professores substitutos. Não há carro para nada, nem visitas técnicas,  não há ambiente discente adequado. Há vários alunos que já deveriam estar concluindo seus cursos, mas não estão, por falta de professor para ministrar algumas disciplinas. Não ouso dizer quem ganha com tudo isso, mas sei que toda a comunidade ueziana e da Zona Oeste perdem”, pondera Vânia Lúcia Muniz, pró-reitora da Graduação da Uezo.

Mais detalhes sobre o evento marcado para esta quarta estão disponíveis em: https://www.facebook.com/events/.

 

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil. Disponível em: http://fotospublicas.com/estudantes-manifestacao