No último dia 6 de setembro, o ministro da saúde, Ricardo Barros, anunciou o fim do surto de febre amarela no País. O último caso da doença foi registrado em junho deste ano, no Espírito Santo. O ministro da saúde reforçou a importância da vacinação para prevenir novos casos. As campanhas de prevenção de doenças por vacina, no entanto, vêm enfrentando resistência por determinados grupos, que questionam a eficácia e buscam soluções mais naturais. Uma das mais recentes polêmicas em relação à vacinação ocorreu durante as campanhas de vacinação contra o HPV, vírus que pode causar o câncer de colo de útero, voltadas para adolescentes, devido a relatos de efeitos colaterais.

“O movimento contrário à vacinação teve início após um artigo publicado em 1998 na revista Lancet estabelecer relação entre a vacina SCR ou MMR (sarampo, caxumba e rubéola) e o autismo e a doença inflamatória intestinal. Logo após sua publicação, provou-se que a metodologia do estudo era fraudulenta, e o médico responsável pela pesquisa foi banido do meio científico. Em alguns países da Europa, este movimento é mais forte, como por exemplo na Itália. A consequência da menor adesão à vacinação são surtos de doenças como o sarampo, doença que foi considerada erradicada em nosso país em 2016”, explica a  infectologista da Beep Saúde, Julia Herkenhoff Carijó.

O presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC), Geraldo Barbosa, alerta para o fato de que já houve queda na cobertura vacinal do País e reflete sobre o fato: “A pediatria não sofreu tanta queda, pois o pediatra acompanha a criança constantemente e consegue esclarecer para as mães, mas a parte da população idosa foi muito afetada. Hoje a gente tem doenças que estavam praticamente controladas voltando, como sarampo, caxumba, coqueluche, e isso nos assusta muito. A vacina é muito sensível, pois depende da crença. As pessoas tem que acreditar que funciona. Outra coisa que deu força ao movimento antivacina, por incrível que pareça, foi o sucesso da vacina, porque a partir do momento em que ela começou a erradicar determinadas doenças, as pessoas perderam o medo, então deixaram de se vacinar. Essa é a nossa preocupação. Estamos tentando reverter isso, o Ministério da Saúde tem feito muitas campanhas e divulgação”, avalia Barbosa.

A infectologista Julia Carijó atenta para a eficácia da vacina e explica as possíveis razões para as pessoas aderirem a esse tipo de mobilização. “O medo de eventos adversos e a procura por terapias ditas mais naturais são os principais argumentos das pessoas que aderem ao movimento. Mas é necessário reforçar que as vacinas, antes de serem liberadas para comercialização, passam por extensas pesquisas para demonstrar sua eficácia e segurança. Como todo medicamento, podem ter eventos adversos relacionados, mas seus benefícios superam imensamente os riscos. Elas são a medida de saúde pública mais bem sucedidas de todos os tempos. “, declara a infectologista.

Os especialistas concordam que a vacinação é o meio mais eficaz de se combater doenças e evitar surtos como o da febre amarela, ocorrido recentemente. “Manter o calendário vacinal em dia, não só das crianças como também dos adultos, é fundamental para nos protegermos de doenças facilmente evitáveis através da vacinação, mas que podem ter desfechos graves e levar à morte, como é o caso do tétano e da meningite, por exemplo”, ressalta Julia Herkenhoff Carijó.

“Não existe nenhum outro meio de se evitar doenças que não seja por meio da vacinação e o custo é infinitamente menor. As crianças no primeiro ano de vida, temos conseguido manter, a gente não tá perdendo. Quando a gente vê o dado de cobertura vacinal caindo no Brasil, isso me preocupa porque a vacinação tem toda uma lógica. Manter o esquema vacinal faz com que se evite esses surtos que acontecem, como o da febre amarela. O Brasil tem um dos melhores esquemas vacinais e a gente tem que valorizar isso cada vez mais”, finaliza Barbosa. Confira alguns dos postos de vacinação disponíveis na Zona Oeste:

 

CMS Professor Masao Goto – Av. Carlos Pontes s/n – Jardim Sulacap

CMS Waldyr Franco – Praça Cecília Pedro, 60 – Bangu

CMS Belizário Penna – Rua Franklin, 29 – Campo Grande

Policlínica Lincoln de Freitas Filho – Rua Álvaro ALberto, 601 – Santa Cruz

CF Olímpia Esteves – Rua Olimpia Esteves, s/n – Padre Miguel

CF Dr. Dalmir de Abreu Salgado – Estrada do Magarça, 1831 – Guaratiba

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