Texto: Adriana Araujo

Com a crise financeira e os altos índices de desemprego que assolam o País, o número de endividados junto aos bancos e demais credores aumenta a cada dia mais. Dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de janeiro deste ano indicam que o número de consumidores registrados nos cadastros de proteção ao crédito passava dos 58 milhões. Ainda segundo o relatório, a região Sudeste é a que concentra o maior número de negativados, somando mais de 24 milhões, o que representa 37,3% da população adulta da região.

Segundo especialistas, um dos maiores responsáveis pela situação de endividamento das famílias é o cartão de crédito. “Atualmente o País vive um momento de crise, onde as pessoas estão tendo problemas com dívidas adquiridas durante o ‘boa fase’ artificial da economia anterior a 2015. Com isso, um imenso contingente de endividados esta com problemas de liquidez não por terem gastado agora, mas por terem se endividado anos atrás, e a ciranda dos juros tornar-se um mal praticamente incontrolável. Os maiores responsáveis atualmente são o cartão de crédito e o financiamento de veículos, pois houve um estimulo forte do Governo, na época, para que se adquirissem bens de consumo dessa natureza. Contudo, com a chegada da crise, os financiamentos começaram a se tornar alternativas para pagar a parcela do carro ou o rotativo do cartão de crédito, ou seja, uma dívida para pagar a outra”, explica o diretor-executivo da Etecon Contabilidade, Vinicius Carneiro.

Ao tentar renegociar a dívida com o banco, o cliente deve estar atento a fatores importantes, como o valor exato devido, a renda mensal de que a família dispõe e às taxas aplicadas pelo banco. “É muito importante estar atento ao comprometimento da renda mensal para saber quanto você poderá pagar em cada parcela. Também é preciso estar atento às taxas aplicadas durante a renegociação: elas devem ser compatíveis com o que é praticado no mercado. É importante tentar comprometer no máximo 30% da renda mensal para o pagamento da dívida. O prazo varia de acordo com o valor, tipo da dívida contraída, taxas aplicadas e o quanto pode ser comprometido da renda para esse fim”, aconselha Marcelo Ciampolini, fundador da Lendico, plataforma online de crédito pessoal.

Caso o cliente não consiga negociar uma dívida de forma favorável com o banco ele pode solucionar o problema levando a dívida para outra instituição que ofereça melhores condições. “Tanto empresas quanto pessoas físicas podem utilizar a portabilidade de dívida de uma instituição para outra. Contudo, a negociação e a responsabilidade por essa operação é do devedor e da nova instituição que vai adquirir sua dívida. A nova instituição financeira não é obrigada a aceitar sua dívida nem a fazer a portabilidade. Contudo, o banco onde você deve é obrigado a transferir sua dívida para a outra instituição que quer adquiri-la. Pode ser feita com empréstimos, financiamento e arrendamento mercantil”, esclarece Carneiro.

Para aqueles que já conseguiram quitar suas dívidas ou já estão no caminho para isso o melhor modo para evitar um novo endividamento é o planejamento financeiro. “A organização financeira é um desafio para muitas famílias e a educação é o primeiro passo para evitar novas dívidas. Sempre que possível, procure poupar um pouco da sua renda mensal. Adquirir bens ou serviços à vista pode ser um bom negócio. Além disso, analise as taxas aplicadas em compras parceladas e também os juros em caso de atraso. Isso pode se tornar uma bola de neve mais uma vez para aqueles que acabaram de quitar as suas dívidas”, aponta o fundador da Lendico, Marcelo Ciampolini.

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