O Hospital Municipal Rocha Faria, em Campo Grande, vem enfrentando uma série de problemas que tem comprometido o atendimento à população. Devido aos atrasos nos pagamentos dos salários e falta de insumos básicos, funcionários têm faltado aos plantões, o que reduziu a capacidade de operação da unidade, que estava atendendo somente os casos mais graves, no último fim de semana.
Thalita Teixeira, que é enfermeira da maternidade do hospital há pouco mais de um ano conta que os profissionais receberam somente uma parcela do salário, na última sexta-feira (20) e que após protesto na última segunda-feira (23), uma parte dos funcionários recebeu o restante. A outra parte segue sem pagamento. “Todos os profissionais receberam na última sexta feira de 40 a 50% do salário. Um ou outro não recebeu. Fizemos protesto em frente ao hospital na segunda-feira. Neste mesmo dia, todos os técnicos de enfermagem e administrativos receberam a outra parte do salário. Todos os outros, de nível superior, não receberam.”
As solicitações dos funcionários vão desde o pagamento dos salários em dia, até condições básicas para o funcionamento do hospital. Segundo a enfermeira, até mesmo sabonete para higienização das mãos falta na unidade. “Nossas principais reivindicações são, de imediato, pela regularização dos nossos salários e condições básicas de trabalho. Hoje, não temos nenhum tipo de sabonete para higienizar as mãos, sendo estas o maior meio de transmissão de infecção. Logo, cobramos insumos básicos para uma assistência digna”, requer.
Na última sexta-feira (20), a Secretaria Municipal de Saúde fez repasse de R$ 5.079.813,79 para o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (IABAS), organização social que faz a gestão do Hospital Rocha Faria. Em nota, a secretaria informa que segue o calendário de repasses estabelecido pela Secretaria Municipal de Fazenda e trabalha para regularizar contratos, equipes e os abastecimentos das unidades.
Também em nota, o IABAS confirma o recebimento dos R$ 5 milhões dos R$ 15 milhões devidos pela Secretaria Municipal de Saúde desde agosto. “Para garantir o funcionamento da unidade sem prejuízo à população, com o valor parcial e sem previsão de novo repasse até 16 de novembro, o Iabas realizou na sexta pagamento de 50% dos salários dos colaboradores além de fornecedores de insumos e prestadores de serviços essenciais tais como: laboratório de análises clínicas, esterilização, limpeza e alimentação”, atestam.
A enfermeira do Rocha Faria, Thalita Teixeira, esclarece que os problemas não começaram agora e aponta irregularidades trabalhistas como o corte de férias dos funcionários sem explicações da prefeitura.  “Outros questionamentos são nosso dissídio, que segundo o município, já foi feito o repasse, e as férias. Em 4 anos, já é a terceira empresa (se essa sair) que vai nos dar um calote em relação à direitos trabalhistas, dentre estes, as férias.
Elas estavam marcadas para iniciar em setembro, de todos os profissionais, e foram canceladas da noite para o dia, sem explicações. Nossos salários estão com atrasos desde janeiro, quando iniciou o mandato do atual prefeito. Posteriormente, vêm atrasando um mês sim, outro não. Mas sempre com alguns dias de atraso. Em agosto a coisa ficou bem feia, e hoje, um caos. Não fomos atendidos em nada, não tivemos previsão e muito menos explicações”.
Nesta quinta-feira (26), acontece na Câmara dos Vereadores, na Cinelândia, uma audiência pública na qual os vereadores irão debater o orçamento do município para 2018. A saúde será uma das pautas, devido à possibilidade de corte de 20% para o ano que vem. A solenidade ocorre a partir das 9h30. Profissionais da área de atenção primária, que inclui clínicas da família  e postos de saúde, farão paralisação nesta data.
Foto: Paula Johas (http://transparenciacarioca.rio/web/guest/exibeconteudo?id=6288670)