O custo com energia pode ser bastante representativo dentro do orçamento de uma empresa e soluções de economia, como o uso de fontes de energia renovável, despertam o interesse do empresariado.  “Quando falamos da indústria, a energia costuma ser o terceiro ou quarto custo, logo após os insumos principais e a folha de pagamento. A representação varia de acordo com cada negócio, porém uma boa estimativa é algo entre 10 e 20% dos custos totais. No comércio, o custo com a energia é ainda mais representativo variando entre o primeira e terceira despesa da empresa, podendo chegar a 25% dos gastos totais”, afirma o engenheiro Daniel Mayall, sócio da Ecco –  Energy Consulting Company, empresa de consultoria energética.

A maior parte da produção de energia no Brasil vem de uma fonte renovável: as hidrelétricas. Porém, outras fontes  como a eólica e solar já se destacam no projeto energético brasilero. “Estamos vivendo uma época de grande inovação tecnológica, principalmente na geração de energias renováveis. Hoje em dia existem tecnologias para geração fotovoltaica (solar), eólica, hídrica, e até a partir de rejeitos da produção. Atualmente há uma grande busca pela energia solar, o que é compreensível pelo potencial brasileiro neste segmento. Apesar de muito boa, insistimos que cada caso deve ser estudado individualmente, pois às vezes uma empresa tem uma característica específica que acaba se tornando uma vantagem competitiva para geração de energia a partir de outra fonte. Não há soluções prontas, apenas entendendo cada empresa se chega a um resultado ótimo e todos saem satisfeitos”, explica Mayall.

Além da utilização de energia renovável, que pode vir de fontes diversas, como explicado pelo especialista, existem outras soluções para redução nos custos com energia nas empresas. Uma delas é a migração do plano de energia do Ambiente de Contratação Regulada (ACR), no qual a compra de energia é feita necessariamente de uma distribuidora local e os preços são regulados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), para o Ambiente de Contratação Livre (ACL), também conhecido como Mercado de Livre Energia. O sócio da Ecco explica o regime livre: “Hoje uma indústria de médio porte pode obter uma redução de até 30% migrando para o regime de contratação no Mercado Livre de Energia. Neste ambiente, o consumidor é livre para negociar o preço pago pela energia com qualquer gerador do país. A energia continua sendo gerada por uma fonte renovável – normalmente uma hidroelétrica ou as usinas eólicas que têm crescido muito no país. Nesta modalidade, a empresa pode fazer contratos de longo prazo, fazendo com que o valor da energia seja fixo no tempo e ficando assim protegido das bandeiras tarifarias, que serão uma realidade cada vez mais presente no Brasil”, alerta.

Outra solução apontada é a autogeração de energia por meio de tecnologias sustentáveis pelas próprias empresas. Essa opção ainda começa a despontar, devido aos custos iniciais de implantação do projeto, considerados elevados,  e o longo tempo de retorno do investimento, que em alguns casos pode chegar a até oito anos. O engenheiro Daniel Mayall explica, no entanto, que já houve uma redução nos custos e que a aposta nesse projeto pode ser muito benéfica tanto para as empresas que investirem no projeto quanto para as distribuidoras.

“Hoje pode-se dizer com segurança que nenhum destes fatores é realmente impeditivo, já que a inovação tecnológica dos últimos anos diminuiu em pelo menos 40% o valor de um projeto deste tipo, diminuindo também o payback [tempo de retorno de investimento] dos projetos. Quanto às distribuidoras elas também serão beneficiadas indiretamente ao não ter que fazer grandes investimentos nas redes de transmissão e distribuição, já que a energia passaria a ser gerada pelos próprios consumidores, e não ter que viajar milhares de quilômetros como ocorre atualmente. Essa realidade já existe em países como a Alemanha, onde a autogeração já representa mais de 20% da matriz e chega a representar mais de 80% nos dias onde o consumo industrial não é representativo como domingos e feriados”, elucida Mayall.

 

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