“Somos o que comemos”. Pensando nessa máxima, ensinar sobre alimentação saudável e plantio deveria ser algo comum, ainda mais em um país que possui forte potencial agricultor como o Brasil. Mas não é e, justamente por isso, a ação do professor de técnicas agrícolas, Lúcio Teixeira, é tão surpreendente: alunos aprendem a cultivar alimentos de maneira saudável e inteligente revertendo o consumo para a merenda escolar, assim como para pais, professores e funcionários.  Hoje com inúmeras escolas, o mestre dá andamento ao projeto iniciado há quase 20 anos.

“Tudo começou em 1998, em Paciência, na Escola Municipal Jornalista Carlos Castelo Branco. Pela necessidade de começar alguma novidade na área de técnicas agrícolas, descobri a hidropônica em um artigo de jornal, investiguei sobre o assunto, visitei uma estufa hidropônica  em Miguel  Pereira e começamos com vários experimentos, acertos e erros, e aqui estamos”, conta Teixeira.

O objetivo do projeto é, basicamente, aprender o processo de germinação em horta hidropônica (quando as plantas ficam submersas em água) e orgânica e como desenvolver valores relacionados às questões ambientais. Além da escola em paciência,  os postos do projeto são: uma escola em Paciência, várias pequenas casas no mesmo bairro, três escolas municipais e uma estadual em Campo Grande, além de várias casas no mesmo bairro, uma escola municipal em Realengo, uma no Espaço Ciência Viva, na Tijuca e uma em Recife, em Pernambuco, na casa de um agrônomo.

“A partir da divulgação e implantação do projeto nas escolas e casas, as pessoas que tinham acesso às informações passaram a desejar que cada local tivesse e pudesse construir uma estufa hidropônica, para terem um produto de alta qualidade e maior precocidade na produção”, afirma o professor.Um problema, porém, continua sendo o investimento. O professor conta que os recursos financeiros para a construção de estufa e outros materiais necessários são mais difíceis de conseguir no primeiro momento.

“No início é mais caro a construção da estufa, devido aos materiais, como caixa ďágua, madeira e, bombas de aquário, timers, condutivímetro, peagâmetro, plástico de cobertura, sombrite, kits de nutrientes e outros materiais necessários. Cada escola via suas condições de recursos, e as que conseguiam, foram premiadas com as estufas. Funciona até hoje, assim”, revela.

A aceitação do trabalho e o acolhimento da ideia há quase 20 anos foi fundamental: “tivemos aceitação de toda a comunidade escolar, incluindo aí os pais, vizinhança das escolas, visitantes de todos os setores da secretaria, inclusive, secretários de educação”, conta o professor Lúcio Teixeira.