Texto: Adriana Araujo

Muitos empreendimentos têm uma visibilidade maior em períodos sazonais, como por exemplo, as sorveterias no verão, lojas de fantasias em período de carnaval etc. Segundo o consultor do Sebrae, Sérgio Dias, essa variação de procura varia conforme o produto e pode estar associada a fatores climáticos (sorvete, agasalhos, protetor solar, alimentos quentes tipo sopas e fondue, repelentes etc.), a datas comemorativas (adereços de carnaval,  ovos de páscoa, produtos para festas juninas, produtos natalinos etc) a  fatores decorrentes da época de pesca, plantio/colheita, safra (alguns peixes e crustáceos, frutas e verduras) ou fatores midiáticos que alavancam vendas de produtos mediante campanhas. O economista orienta os empreendedores quanto à preparação para esses períodos de maior movimento do comércio:

“Essa preparação implica em um bom planejamento de compras e estoque para que o produto não falte em seu estabelecimento e também não se deteriore antes da venda. No caso do sorvete, que demanda estocagem especial, climatizada e não tem um prazo de validade muito longo, o cuidado deve ser maior. O momento ideal para se iniciar um planejamento é no início do ano, para que você consiga prever as oscilações que o consumo poderá sofrer. Assim, você consegue definir algumas estratégias para enfrentar as situações de sazonalidade negativa”, alerta o consultor. Na sorveteria KiLegal, presente em Campo Grande há 25 anos, a preparação para o período de maior venda, o verão, começa no mês de setembro.

O economista Sérgio Dias menciona alguns dos procedimentos que podem ser adotados antecipadamente: “Orce o que será preciso para contratar ou alocar, desde insumos, produtos acabados, mão-de-obra extra, plataformas para ações de marketing, espaços para armazenagem. Uma boa prática para reduzir investimentos é se aliar a fornecedores que aceitem fazer acordo de parcerias. Assim, será possível atender às demandas, além de construir um bom relacionamento com esses fornecedores”, indica o especialista.

Outra dica do especialista está associada à divulgação, até mesmo para conseguir manter um bom volume de vendas  nos períodos do menor demanda. “Mesmo que um produto tenha seu comportamento de vendas condicionado à sazonalidade, sua venda não se encerra nesses períodos e o produto pode ser comercializado fora do período sazonal. Sorvetes são consumidos no inverno, roupas de lã são demandadas no verão por clientes que vão viajar para outro hemisfério ou que simplesmente querem adquiri-lo fora da estação.  Portanto, manter acesa a imagem da marca e do negócio é importante.  Em cidades com bom fluxo de turistas, as vendas de produtos sazonais ocorrem mesmo fora desses períodos pois a demanda se mantém aquecida por esses visitantes.  A melhor estratégia vai depender do tipo de serviço e do público alvo, mas a presença nas redes sociais é muito importante e de baixo custo”, atenta.

A empresária Marly Almeida, da sorveteria KiLegal, está bastante atenta para a importância da divulgação. “Para mim, a propaganda é sempre a alma do negócio, desde que verdadeira. A gente procura falar do sorvete e fazer aquilo que falou. Fazer um bom produto, melhorar sempre, para ter veracidade naquilo que fala. Fazemos divulgação também pelo Facebook, que deu bastante resultado. A divulgação é tudo, não tem como, hoje em dia, trabalhar sem divulgação”, declara Marly.

Sobre a KiLegal

O empreendimento começou com a intenção de ser um negócio pequeno, devido ao gosto pessoal da empreendedora Marly Almeida, que desde criança adorava sorvete e tentava fazer o produto em casa para consumo próprio. Com o passar dos anos, o gosto de Marly pelo produto se transformou na vontade de investir em um pequeno negócio. “Do lado da casa de minha mãe, em São Paulo, havia uma sorveteria que fazia o sorvete na hora. Gostei muito e procurei saber como se fazia, mas não me explicaram. Resolvi fazer, então, um curso para aprender a fabricar o sorvete. Voltei para o Rio de Janeiro, peguei um empréstimo com meu irmão, comprei uma máquina de sorvete, e comecei a fazer em casa, já sabendo fazer corretamente, mas a minha ideia era fazer e vender pouco, mas o negócio foi se expandindo. Eu tinha muitos conhecidos, pois antes trabalhava como costureira. Onde eu ia, falava que estava fazendo sorvete, na fila do banco, na fila da farmácia, e minha casa foi enchendo de gente comprando sorvete, minha sala virou depósito, minha cozinha virou fábrica de sorvete e fui conquistando a freguesia até chegar aqui”, conta, orgulhosa.

 

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