Na manhã desta segunda (12), a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro iniciou a desmontagem da Estação de BRT Maria Tereza, localizada no encontro da Estrada do Monteiro com a Avenida Cesário de Melo. Desde sua construção, muita polêmica envolveu a escolha dessa área. Além do impacto no trânsito e nos comércios locais, o principal questionamento da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) sempre foi o fato da estação não estar conectada ao corredor Transoeste e nunca ter sido efetivamente utilizada. Há alguns anos, a estrutura tem sido usada por moradores de rua e sua presença fantasma também afeta diretamente a sensação de segurança no local.

Por esses fatores, a sociedade civil organizada, em uma clara demonstração do caminho que todos devemos seguir, no sentido de cobrar as autoridades em suas tomadas de decisões, demonstrou uma grande capacidade de articulação para travar essa batalha com o objetivo de desativar a estação que ficou no local por mais de sete anos. Um movimento liderado pela ACICG, Rotary Club, Lions Club, Clube dos 13 e associações de moradores, se encarregou de levantar a bandeira de desativação. Documentos foram levantados, estudos foram feitos, ofícios encaminhados e diversas horas de reuniões com os órgãos competentes, para percorrer o caminho necessário do ponto de vista legal e atingir esse objetivo. O sistema BRT é uma concessão contratual entre a Empresa Municipal de Transporte (Rio Ônibus) e uma empresa privada. A estrutura física das estações BRT são locadas pela Prefeitura, o que envolve também um complexo processo de alteração contratual.

Muitos anos foram perdidos, dinheiro público desperdiçado, até finalmente atingirmos um objetivo considerado como básico por qualquer cidadão consciente: a desativação de um mobiliário que, além de estar atrapalhando, não está sendo utilizado para nada. A ACICG publicamente repudia  a atitude de inúmeros políticos do legislativo, que não foram vistos em encontros, reuniões e ações que culminaram no resultado da manhã desta segunda-feira, mas que não perderam a oportunidade de estarem presentes no local com o objetivo de faturar politicamente com essa ação do executivo, realizada por funcionários do executivo e a pedido da sociedade civil organizada. A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande aproveita para questionar o momento onde finalmente uma árdua luta termina. Fica a pergunta para todas as figuras públicas presentes no local: com tantos discursos ferrenhos de empenho e dedicação por nossa região, porque uma situação que se arrastou por tanto tempo foi resolvida a 209 dias das eleições?

 

Foto: ACICG