A Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) segue trabalhando para pressionar o poder público sobre assuntos de interesse do bairro. Desta vez, entrevistamos o ex-secretário de transportes do município, Rubens Teixeira, antes de sua saída do cargo na última sexta-feira (7), para concorrer às eleições do legislativo estadual. Teixeira esteve em reunião com a diretoria da ACICG no dia 3 de março e iniciou o processo de decisão sobre a Estação Maria Tereza, que seria demolida logo depois, acatando a decisão de grande parte da população. Confira a entrevista e saiba quais devem ser as próximas ações da Secretaria em Campo Grande.

– Na reunião que o senhor teve com a diretora a ACICG, abordamos diversas pautas. Dentre elas, a própria demolição da Estação Maria Tereza. Qual foi a importância dessa pressão para que finalmente o assunto tivesse uma conclusão?

A reivindicação dos moradores e comerciantes da região foi fundamental para dar andamento ao processo de remoção da estação, que fazia parte de um trecho do BRT não implantado na gestão passada e estava inoperante desde a inauguração da Transoeste em 2012, nunca foi utilizada e vinha sofrendo com ocupação indevida, invasão de população de rua, presença de usuários de drogas e vandalismo. A interação entre a população e o poder público é essencial para atendermos aos pleitos, dando soluções rápidas a questões urgentes.

A desmontagem da estação não gerou qualquer impacto negativo no dia a dia dos usuários do sistema BRT, já que o trecho da Estrada do Monteiro já é atendido por linhas de ônibus alimentadoras e convencionais.

– Campo Grande é um bairro populoso e a frota de ônibus é péssima. Há algum tipo de iniciativa, por parte da prefeitura, de mudar esse cenário?

Desde o início da atual gestão, o efetivo foi reforçado e ações de fiscalizações em ruas, terminais e garagens em diversos pontos da cidade, assim como em Campo Grande, têm sido intensificadas para combater irregularidades nos serviços prestados pelos consórcios. A SMTR tem aplicado multas frequentes, principalmente por falta de vistoria anual, operar com frota abaixo do determinado, má conservação da frota e inoperância de linhas. Também vale destacar que o transporte público por ônibus na Zona Oeste passará por uma reestruturação com a implementação do BRT na Avenida Brasil, beneficiando moradores e trabalhadores da região.

– As vans acabam servindo como transporte complementar em bairros como Campo Grande. Há algum tipo de planejamento para organizá-las de modo a serem realmente um complemento para as regiões não atendidas pelas linhas, sem que elas sejam concorrência para os ônibus já existentes? Como funciona a fiscalização?

Sobre o Sistema de transporte Público Local (STPL), a Comissão de Estudos sobre o modal já entregou o relatório final, com o objetivo de rever itinerários e avaliar possíveis melhorias no serviço prestado pelas vans, que tem como objetivo principal desempenhar o papel de alimentadoras dos transportes de alta capacidade.

Conforme divulgado, a Coordenadoria Especial de Transporte Complementar da Secretaria Municipal de Ordem Pública foi realocada para a Secretaria Municipal de Transportes. Com isso, a fiscalização das vans também fica a cargo da SMTR. Ou seja, as ações passaram a ser integradas, contando com fiscais capacitados, atuando sobre todos os modais. A CETC dispõe de um efetivo total, entre fiscais, auxiliares de fiscais e Guardas Municipais, de 99 servidores.

– A Rodoviária de Campo Grande acaba servindo como um ponto além da Novo Rio para quem deseja se deslocar até mesmo para outras regiões. Ainda assim, sofre com a falta de conservação, além de se mostrar arcaica e pouco informatizada. Há algum tipo de projeto para expandir os serviços prestados por ela e oferecer melhor qualidade aos passageiros?

O projeto de ampliação e aplicação de melhorias na rodoviária de Campo Grande é uma demanda antiga de moradores e foi retomado na atual gestão. Neste momento, passa por estudos técnicos para obtenção de dados atualizados e verificação das melhores ações a serem implementadas no local.

– O acesso ao centro de Campo Grande, principalmente nos horários de pico, é demorado e poderia ser facilitado com operações simples. Existe algum planejamento da CET-Rio para melhorar o acesso com ações com a inversão  de mão de ruas estratégicas e auxílio de agentes de trânsito para melhorar o fluxo de veículos na região?

Essas alterações em áreas consolidadas são complexas, pois alteram a rotina de milhares de pessoas e precisam ser bem elaboradas. Vamos avaliar os tipos de intervenções possíveis que possam alcançar um bom resultado.

– Uma das pautas abordadas na reunião são as ações para gerar maior fluidez no trânsito de Campo Grande e adjacências. Uma delas seria a criação de acostamentos e baias para embarque e desembarque de passageiros em diversas vias, como a antiga Rio-SP, Est. do Pré, Av. Cesário de Melo, Est. do Cabuçu, entre outras, que não exigem investimentos para desapropriações. Há algum planejamento em relação a isso? Existe a possibilidade de se tomar esse tipo de atitude?

Todas essas vias possuem grandes extensões, e já existem baias na Cesário de Melo e na Estrada do Pré. A implantação de baias exige investimentos de obras e remanejamentos de infraestrutura. Faremos um levantamento e enviaremos para avaliação da Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação.

Quem assume a Secretaria de Transportes no lugar de Teixeira é o coronel da reserva Diógenes Dantas.

 

Foto: Rita de Cássia Costa (ACICG)