Na última terça-feira (17), a diretoria e associados da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) receberam o Coordenador de Operações da Secretaria de Ordem Pública do Rio de Janeiro (Seop), Coronel Danilo Nascimento, no Café com Ideias, projeto da ACICG para debater as demandas da região.

A reunião foi aberta pelo presidente da entidade, Guilherme Eisenlohr, que expôs alguns dos principais problemas observados no bairro, como a ocupação dos camelôs nas calçadas do centro de Campo Grande. “Chegou um ponto em que nós estamos bastante preocupados com as estratégias que o comércio ambulante vem trilhando na nossa região. Essa nossa preocupação vem por parte do comércio legal que está passando por uma situação muito difícil pela pressão dos ambulantes. É uma agressividade de produtos de grande dúvida da sua origem, com todas as circunstâncias levando a crer que são produtos roubados ou grosseiras falsificações. Se um comerciante vende sandálias, o camelô coloca sandálias da mesma marca, ou falsificações na porta dele e pode vender por até um quarto do valor. Como o empresário irá pagar seus funcionários, seus impostos, seu aluguel desta forma?”, questionou o presidente.

Eisenlohr declarou o interesse da associação comercial em promover a ocupação do território de forma legalizada e ressaltou a importância da ação conjunta entre o órgão e o poder público. “Nós precisamos desse apoio e precisamos dar esse apoio também. Nós temos projetos interessantes, como o de fazer uma área de lazer decente para o povo de Campo Grande, por exemplo, no próprio calçadão que é o símbolo de Campo Grande e que aos domingos é vazio. Nós temos a intenção de colocar uma orquestra para as famílias. Nós temos o projeto pronto, só precisamos da garantia das autoridades de que o camelô não vai se infiltrar ali”, explicou o presidente.

O Coordenador de Operações da Seop avaliou a situação apresentada e esclareceu que as ações na região precisam ser realizadas de forma conjunta e de forma corrente, já que ações pontuais não resolvem o problema. “Não é uma tarefa fácil. Foram citados vários exemplos que não cabem só ao órgão da Secretaria de Ordem Pública ou mesmo da Prefeitura. São diversos erros, de vários órgãos, mas também não podemos ficar culpando A e B e não partir para a ação efetiva”, ponderou.

A fiscalização por parte da guarda municipal no combate à atuação dos camelôs foi uma das principais reivindicações. Nascimento apontou que um dos fatores que impedem uma fiscalização mais eficaz é a falta de efetivo nas ruas, o que deve piorar ainda mais caso uma lei sobre a nova escala da guarda municipal, já aprovada na câmara dos vereadores, seja sancionada pelo prefeito. “Os vereadores votaram em uma escala para a  guarda municipal de 12 horas por 60. Isso diminui em quase um quarto do efetivo da rua”, apontou.

O coronel apontou como intervenção imediata a necessidade de um trabalho conjunto entre diversos órgãos, mas ressaltou a dificuldade de implantação de um controle efetivo na região, devido à falta do efetivo já mencionada. “A ação aqui precisa ser conjunta com  a vigilância sanitária, fiscalização de reboques de vans, controle urbano, guarda municipal. A gente tem feito um esforço para organizar esse órgãos, o que acontece é que a gente não tem fôlego para fazer essas ações de maneira continuada, todo dia”, ressaltou. O coronel reforçou a importância da Superintendência local enviar as demandas para a Secretaria para que possa haver um esforço maior no atendimento às demandas.

Os membros da diretoria e associados da ACICG presentes no evento apontaram dados importantes da região e cobraram do coordenador de operações ações correspondentes aos impostos arrecadados no local e representatividade eleitoral exercida. “Campo Grande é o maior arrecadador do município, os deputados, vereadores vêm buscar votos aqui porque a Zona Oeste é o maior colégio eleitoral da cidade. Somos uma potência e estamos relegados ao último plano porque todas as coisas vão para a Tijuca, para a Zona Sul, para o Centro e nós aqui estamos ao ‘Deus dará’. Se você passar pelo centro de Campo Grande agora, vai ver a situação caótica que está lá. O túnel é um shopping clandestino, você não tem como sair com todas aquelas barracas na saída. No fim de ano, quando o fluxo de pessoas é muito maior, não tem como passar ali. Aquilo era para ser apenas passagem.”, apontou Américo Gonçalves, um dos associados da ACICG.

O coronel declarou que a Secretaria irá fazer um mapeamento diagnóstico dos problemas locais para estudar a melhor forma de integrar as ações necessárias da região. “Essa semana vou fazer o mapeamento para levar esse problema todo para a Secretaria para fazer a melhor ação. Não posso dizer que vamos resolver o problema, é difícil, mas pretendemos fazer alguma coisa de maneira mais continuada”, se comprometeu Nascimento.

Café com Ideias 

O projeto da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande visa a promoção do debate das demandas locais entre autoridades e empresariado a fim de encontrar soluções para as questões levantadas.

 

Imagem: Rita de Cássia da Costa (ACICG)