Texto: Adriana Araujo

O candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, Marcelo Trindade, do partido Novo, esteve na sede da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) na última quinta-feira (19), para debater junto aos diretores e convidados da instituição as demandas da região. Na ocasião, ele falou sobre sua carreira e apresentou propostas para os questionamentos apontados pelos presentes.

O encontro foi norteado pelas questões levantadas pelos convidados. A participação da região no plano de governo dele foi um dos pontos abordados: “Qual é o planejamento de inclusão da Zona Oeste dentro do seu governo? Nós somos sempre lembrados na época de eleição para pegar os votos e depois somos esquecidos ou fazemos parte de qualquer planejamento de obra, de segurança ou de educação, mas com uma péssima qualidade, seja de asfalto, seja de segurança, pois 100 homens vão para a Zona Sul e apenas três para cá. Por isso, quero saber qual a oportunidade teremos. Eu não quero mais dar meu voto e ser esquecida, dar meu voto e receber migalhas”, questionou Sandra Neves, empresária local.

Para Trindade, a participação popular é essencial no processo de inclusão das pautas da Zona Oeste no plano de governo: “Depende de nós. Vamos abrir um núcleo do Partido Novo aqui na Zona Oeste e a gente começa a falar das questões e pontos que não são ouvidos da Zona Oeste para o partido. O partido tem um mantra: não tem salvador da pátria. No partido Novo, a Zona Oeste vai ter representatividade”, declarou o candidato ao governo do estado.

O presidente da ACICG, Guilherme Eisenlohr, destacou dados referentes à região e falou sobre a falta de investimento, que não é proporcional ao potencial do bairro: “O maior colégio eleitoral da cidade está aqui. A maior população está aqui, até no número de veículos nós somos os maiores, com 160 mil veículos, a Tijuca, segundo lugar, tem 90 mil. Se nós somos os maiores em tudo, nós temos condições de ter a maior bancada de deputados pelo Rio de Janeiro, de ter o maior número de vereadores. Isso junto a qualquer Executivo nos dará o retorno e quem estiver lá irá parar de governar de costas para nós, que é o que tem acontecido”, reivindicou Eisenlohr.

O repórter da revista Atual, Renato Reis, também pontuou algumas das mais urgentes demandas da região: “É fundamental que não se tire da pauta questões essenciais para Campo Grande e seu entorno. Não pode ser esquecida a questão da Uezo, universidade estadual da Zona Oeste, a necessidade de um hospital geral de trauma para toda essa região, a construção de um batalhão da polícia militar em Itaguaí, a recuperação das praias de Pedra de Guaratiba e Sepetiba, todo aquele universo riquíssimo que hoje está abandonado e que é atribuição do governo do estado, a duplicação da estrada Rio-São Paulo entre Campo Grande e Seropédica, isso é fundamental para o desenvolvimento de empresas, a ampliação do ramal ferroviário entre Santa Cruz e Itaguaí, uma atenção aos espaços culturais da região e uma revisão urgente contra a privatização da Cedae”, apontou.

Segundo o candidato, o partido é favorável à privatização da Cedae e explicou o porquê: “O partido Novo acha que tudo que o estado não sabe fazer melhor do que o privado ou tudo que o estado não pode delegar ao privado, ele não pode delegar as funções de estado, saúde, segurança, educação. A qualidade dos serviços o estado precisa assegurar, mas não precisa executar. Essa é a nossa visão como partido. O que nos trouxe até aqui é a arrogância, a pretensão do estado de dizer ‘Eu sei fazer tudo’. Isso, na verdade, é o instrumento de quem se aproveita do estado, de quem se aproveita dos recursos públicos em benefício próprio. O partido Novo é a favor da privatização da Cedae. A Cedae vale muito dinheiro, mas ela tem muitas missões, que são muito importantes. A missão dela não é manter os empregos dos servidores que ela tem. A missão dela aqui no estado do Rio de Janeiro é a universalização do tratamento de água e do serviço de esgoto, daí decorre a despoluição da Baía de Guanabara. Esta companhia vale uma fortuna, se ela for vendida direito”, declarou.

Sobre o candidato: Advogado e professor de Direito, Marcelo Trindade tem 53 anos e foi presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) entre 2004 e 2007. A candidata a vice-governadora de Trindade é a professora Carmen Migueles.

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Foto: Rita de Cássia da Costa (ACICG)