As eleições gerais de 2018 se aproximam e, além da corrida presidencial, teremos ainda pleito para o senado, governos de estados, deputados federais e estaduais. Os cargos regionais, com autonomia local maior e um papel crucial para o Rio de Janeiro, têm importantes responsabilidades para a Zona Oeste. Pensando nisso, listamos alguns aspectos que você precisa saber para definir o seu voto lembrando dos problemas e particularidades da sua região. Confira:

TRANSPORTES

Os problemas gerados pela greve dos caminhoneiros evidenciaram a dependência do Brasil nos transportes rodoviários. No Rio de Janeiro, os transportes de massa são, basicamente, compostos por ônibus comuns, BRT, metrô e trem. O último modal recebe diversas críticas por oferecer serviço restrito e com pouca distribuição pelo estado.

“Andar de trem todos os dias é uma surpresa cada vez que você chega à estação. Elas fedem a urina e fica insuportável esperar o trem, algumas não têm nem cobertura caso chova. Trens novos vivem sendo vistoriados e acabam atrasando a viagem. A maioria, de Deodoro à Campo Grande, não têm acessibilidade para cadeirantes, pessoas especiais e idosos. E as que têm, o elevador está ruim ou as escadas rolantes não estão funcionando. Eles alegam que é por causa da chuva ou por ato de vandalismo. Tem vezes que as escadas ficam mais de 60 dias sem funcionar”, afirma Cássio César, jovem que pega trem todos os dias em Campo Grande para trabalhar no Méier.

Há, ainda, um projeto de criação do Programa de Recuperação da Malha Ferroviária que busca fomentar o turismo no estado, como determinado na Lei 1.252/12. Dentre as linhas contempladas, estaria a que liga Santa Cruz a Mangaratiba. Porém, questionada sobre a revitalização desse trecho, a Secretaria de Estado de Transportes (SETRANS) diz que não há demanda que justifique a operação para o transporte de passageiros nessa área.

Em resposta aos questionamentos enviados, a SETRANS também informa que o sistema ferroviário tem recebido investimentos para dotá-lo de acessibilidade. Já a SuperVia, em nota, garante que cumpre todas as metas de regularidade e pontualidade previstas no Contrato de Concessão. Além disso, destaca as mudanças operacionais já implantadas: “no ramal Santa Cruz, que atende a Zona Oeste, por exemplo, a concessionária criou as viagens expressas, mais rápidas porque param em menos estações. No período de maior movimento pela manhã, a SuperVia criou o total de 20 viagens especiais entre a Central do Brasil e Campo Grande, nos dois sentidos, todas fazendo o serviço parador, o que aumentou a oferta de lugares e eliminou a necessidade de transferências nas principais estações”. A empresa afirma que a oferta de lugares cresceu para 2,1 milhões todos os dias e que tem seguido um cronograma de reformas para garantir a acessibilidade de todas as estações.

Já os ônibus, são responsabilidade da prefeitura do Rio. Apenas os intermunicipais estão abarcados dentre as responsabilidades do governo do estado.

SEGURANÇA

O Rio de Janeiro está sob intervenção militar. Porém, os índices de violência continuam subindo, inclusive em áreas comerciais, comprometendo até mesmo a vida dos comerciantes. Segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o 40ª BPM, que abarca os bairros de Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Santíssimo e Senador Vasconcelos, teve mais do que o dobro de roubos a comércios: de seis em janeiro, saltou para 13 em junho. No último mês do semestre chegaram a ser contabilizados 1.437 registros de ocorrências na região.

A Polícia Militar afirma estar empenhando esforços para aperfeiçoar o patrulhamento preventivo em todo Estado, principalmente nas áreas indicadas como prioritárias pela análise da mancha criminal: “O 40ºBPM, batalhão responsável pelo policiamento ostensivo em cinco bairros da Zona Oeste do Rio, tem empregado policiais pelo Regime Adicional de Serviço (RAS) desde maio de 2018 além de ter recebido novas viaturas adquiridas pela Corporação. Estas são medidas que visam maior capilaridade das ações de patrulhamento. A Unidade realizou mais de 600 prisões em toda sua área de policiamento entre janeiro e junho de 2018”, o órgão esclarece em nota.

 

EDUCAÇÃO

A Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) é a única universidade pública da Zona Oeste e, como tal, espera-se que tenha papel fundamental no desenvolvimento local. Porém, desde sua criação, em 2002, enfrenta inúmeros problemas que vão desde falta de infraestrutura, já que funciona no mesmo prédio do Instituto de Educação Sarah Kubitschek, até a falta de professores. Esse último, porém, teve uma conquista graças a convocação de candidatos aprovados em editais de 2014 e 2015, publicado em Diário Oficial no dia 26 de julho.

“Embora tenhamos melhorado significativamente o orçamento aprovado, a instituição é feita de seres humanos e estes continuam na mesma péssima situação. Aliás, não são exatamente os mesmos. Há bem menos gente porque vão saindo, já que não há progressão, não há plano de cargos e carreiras e o salário fica ainda mais defasado. Falta de dedicação exclusiva e tudo o mais que estimularia os docentes a se tornarem cada vez mais dedicados a qualidade e acabam adquirindo o perfil de horistas”, conta Vânia Lúcia Muniz de Pádua, pró-reitora de graduação da instituição, que continua: “o panorama é positivo em alguns aspectos, porque a administração tem conseguido utilizar os recursos com eficiência e o orçamento foi maior. Mas se as pessoas (docentes e alunos que evadem por causa desse sucateamento) continuarem saindo, o significado daquilo tudo ficará em jogo. Este deve ser o valor que o poder executivo confere a Zona Oeste”, afirma.

 

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SAÚDE

Com a municipalização em 2016 dos hospitais Rocha Faria, em Campo Grande, e Albert Schweitzer, em Realengo, pouco restou da saúde estadual na Zona Oeste. Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a Zona Oeste conta, hoje, com três unidades especializadas e seis UPAs. Enquanto a saúde municipal vive uma crise, moradores da região, porém, dizem que o atendimento nas unidades estaduais teve grande melhora nos serviços.

“Já estivemos em outras unidades, a mais recente foi a unidade do RP Mont. Quanto ao atendimento, depende muito da gestão da unidade. O que eu acho que é necessário fazer nas unidades é aumentar o efetivo,melhorar as condições de trabalho e manutenção dos espaços interno e externo”, afirma Adriana Lisboa, moradora da região. O esposo esteve recentemente na unidade para levar um vizinho.

Questionados sobre os números de atendimentos na Zona Oeste, a SES não respondeu até o fechamento desta reportagem. Em Campo Grande, duas UPAs são de responsabilidade do governo do estado: Campo Grande I, na Estrada do Mendanha, e Campo Grande II, na Cesário de Melo, próximo ao Regimento de Polícia Montada, a qual se refere a entrevistada.

 

 

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