Na manhã desta segunda-feira (13), a comunidade acadêmica da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) se reuniu no campus da faculdade, que funciona nas dependências do Instituto de Educação Sarah Kubitschek (IESK), para reivindicar a investidura dos 17 professores que tiveram o processo de contratação suspenso, na última quinta-feira (9). Os professores foram convocados por meio do Diário Oficial, mas um questionamento da Comissão de Fiscalização do Ministério da Fazenda paralisou o andamento do procedimento na véspera de sua conclusão.

A professora Vanderlaine de Menezes, que espera há três anos para assumir o cargo na disciplina de Ecologia, esteve no local. “Não explicaram o porquê da suspensão. Em termos financeiros, a gente não acredita que isso seja efetivamente um problema, principalmente porque a Uezo está defasada no seu quadro, vários professores pediram exoneração em função da crise que a universidade vem passando desde 2015, junto com as outras instituições, ou seja, estaríamos entrando no lugar desses professores, e mesmo assim, a universidade continuaria com seu quadro deficiente. São mais de 80 disciplinas sem docentes. Estamos realmente precisando ser efetivados no cargo para poder ajudar e fazer a formação desses estudantes”, reivindica.

A desvalorização dos professores da universidade, que não tem regime de dedicação exclusiva, é motivo para que muitos docentes procurem empregos em outros lugares, prejudicando ainda mais o quadro da universidade. É o caso de Leandro Motta, que faz concursos para outras faculdades, procurando melhores condições de trabalho. “A gente não tem valorização, não tem plano de cargos e salários, ganhamos três vezes menos que na UFRJ e Uerj. Não vale a pena, a gente tem família. 100% dos docentes aqui são doutores. Então, pinta um concurso para minha área em outro lugar, se eu passar, eu vou embora. Eu fiz um para a UFMG em janeiro. Infelizmente, fiquei em terceiro lugar. Se eu tivesse passado, com certeza, pediria exoneração. Meu cargo ficaria vago e como não estão contratando, o maior prejudicado é o aluno. A Uezo precisa de uma solução”, explica o professor da disciplina de Controle de Qualidade do curso de Farmácia, que está na instituição desde 2011.

Vinícius Tavares, que é aluno do curso de Ciências Biológicas, conta que os estudantes são muito prejudicados pela falta de professores e que muitas vezes precisam pagar para fazer as matérias faltantes em universidades particulares para concluir sua formação. “É uma situação muito complicada porque esses editais são de 2014 e 2015 e os professores ainda não tomaram posse nestes anos todos. No meu curso, temos duas modalidades. As disciplinas específicas de Gestão Ambiental não tem professor e a gente depende dessas nomeações. Mesmo assim, ainda terão disciplinas que não terão professores para oferecer. Os alunos não tem como cursar e temos gente fazendo essas disciplinas em outras instituições para depois pedir isenção aqui. Só que isso gera um problema, você precisa sair de Campo Grande, procurar disciplina em outro lugar, algumas vezes até em faculdades particulares, ou seja, a gente está em uma universidade pública e temos que pagar uma disciplina fora”, denuncia o estudante do sétimo período.

Gabriela Albuquerque, do quarto período de Ciências Biológicas, endossa as reivindicações sobre o quadro dos professores e aponta, ainda, outras questões: “A minha grade está complicadíssima porque eu não tenho como puxar matéria. Ficam adiando e eu não sei quando vou pegar a matéria porque às vezes eles conseguem professor, mas ele fica só um período, depois não tem mais, e você não teve tempo para pegar essa matéria porque estava fazendo outra. Tem revezamento de professores, não tem bandejão, não temos previsão do recebimento das bolsas, às vezes, não temos como vir porque não temos dinheiro”, aponta a jovem que mora em Realengo e precisa pegar seis ônibus para ir e voltar da faculdade.

A professora de Química Orgânica do curso de Farmácia, Luciana da Cunha Costa, fez contato com a equipe da Rede Globo, que esteve no local na manhã desta segunda-feira, para denunciar a situação e pedir uma solução aos órgãos responsáveis. “Eu sou professora da Uezo e assim como todo mundo fiquei indignada com a situação. A gente contava com a posse desses professores, eles fazem falta para a instituição. Todos os dez cursos de graduação estão prejudicados. São vidas prejudicadas. Acho que a Uezo nunca teve uma fase boa, ela sempre foi preterida em relação às outras universidades do estado, mas eu entendo que essa é a pior fase”, relata a docente, que está há dez anos na faculdade.

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Texto: Adriana Araujo

Foto: Rita de Cássia da Costa (ACICG)