A passagem da gestão de negócios de pais para filhos é bastante comum, mas é necessário observar alguns procedimentos nesse processo para que a transição aconteça da forma mais equilibrada possível. A CEO da Ana Vecchi Business Consulting, consultoria de gestão de negócios, Ana Vecchi, dá dicas para tornar mais fácil a transição.

Como os pais devem proceder?

Aos pais, a consultora aconselha estar atentos ao fato de que muitas mudanças ocorreram ao longo do tempo, e que talvez o modelo de gestão adotado por eles já não seja mais tão efetivo. “Os filhos talvez estejam mais e melhor preparados para enfrentar o mercado de hoje do que seus próprios pais. É bom ouvir o que eles têm a dizer e que planos têm para a empresa da família. O modelo de gestão do fundador talvez não sirva mais para a continuidade”, alerta.

A especialista indica também que a transição não seja feita apenas para realizar os desejos dos pais, é preciso que os herdeiros tenham interesse em assumir os negócios. “É preciso aceitar que há filhos que não nasceram para isso e querem voar em outros horizontes, que eles serão felizes/realizados fazendo outras coisas e não acabarão com o patrimônio obrigados a fazer o que não têm habilidade para realizar. Vale lembrar que a empresa ou grupo não conseguirá acolher todos os herdeiros, pois não deve ser um “cabide de empregos” para os herdeiros que não têm outra opção”, explica Ana Vecchi, que recomenda, ainda, que a transição comece anos antes da necessidade de ausência do gestor.

E os filhos, como devem se portar no processo de transição?

Aos filhos, a especialista também dá conselhos como a importância de fazer seu próprio trabalho ao invés de seguir exatamente os passos dos sócios fundadores. “Saber delegar e estar perto pode ser melhor do que se sentir obrigado a fazer como seus pais faziam. Compartilhar ideias e ideais faz toda a diferença, cada vez mais! Indivíduos e comunicação são pilares fundamentais para a perpetuação ou destruição do que foi construído.”

Por fim, a empresária destaca a o comprometimento daqueles que assumirão a gestão como um dos pilares para o sucesso desta empreitada. “Ser empresário e empreendedor é levantar cedo para trabalhar, ter ideias em cima de planejamento e planilhas, respeito pelos funcionários e fazer valer o salário de cada um, sem atraso de um dia sequer. Sentir-se feliz pelo que realiza, orgulhoso pelo trabalho que conduz e não saber a diferença entre a segunda-feira, a sexta ou o domingo. É não buscar culpados, preocupar-se apenas com as soluções e trabalhar para evitar problemas. Dinheiro é consequência”, finaliza.

 

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Imagem: Pixabay