A educação financeira é um dos pilares quando o assunto é gestão. É ela a responsável por garantir estabilidade, dar margem a investimentos e, até mesmo, impulsionar expansão de negócios. Pensando nisso, conversamos com Arthur Igreja, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e especialista em empreendedorismo e investimento, e Carlos Afonso, também professor, contabilista, administrador e autor do livro “Organize suas finanças e saia do vermelho”. Os especialistas listaram algumas dicas importantes para empresários. Confira:

TENHA UMA BASE ORÇAMENTÁRIA

“É fundamental começar um negócio com previsibilidade orçamentária, preferencialmente o mais pessimista, que dever considerar uma gordura em relação ao tempo da adversidade. Então, fazer essa previsão com relação a tributos, gastos, encargos, receitas e custo é absolutamente importante”, afirma, Arthur Igreja.

FLUXO DE CAIXA

“Um dos maiores problemas que as empresas enfrentam é o controle do Fluxo de Caixa. Essa peça de fundamental importância para todas as empresas consiste na previsão das entradas (receitas) e dos pagamentos (saídas) do negócio, de modo a indicar eventuais períodos em que haja necessidade de captação de recursos, ou períodos onde haja excesso de recursos e seja possível investi-los. Sem fluxo de caixa não conseguimos sequer saber para onde a empresa está indo em termos financeiros”, conta Carlos Afonso.

PESSOA FÍSICA X PESSOA JURÍDICA

“Ter uma clara política de separação entre a pessoa física e a jurídica é uma das dicas. Eu sei que uma associação comercial fala especialmente para os pequenos empresários e a maior parte deles acaba confundindo o financeiro pessoal com o empresarial. Por vezes, ele não consegue mensurar quando um está saudável e o outro doente, então cansei de ver empresas que, pelo excesso de gastos da pessoa física, teve o negócio prejudicado”, destaca Igreja.

SE RELACIONE COM O SEU BANCO

“Acredite, o processo de relacionamento bancário ocorre muito antes de você fazer qualquer operação bancária. Isso porque quanto mais o agente financeiro souber a seu respeito, melhores tendem a ser as condições a serem oferecidas. Ademais, dependendo do tipo de operação, o banco solicitará diversas informações prévias, de modo que possam ter tempo hábil de analisar os dados e estabelecer um rating. Deste modo, sempre é conveniente munir o seu gerente bancário de dados do seu negócio, tais como declaração de faturamento assinada pelo seu contador, bem como o balancete contábil mais recente. Acredite, existem diversas modalidades de capital de giro que a empresa pode se valer para projetos de expansão, capital de giro, renovação de frota de veículos, entre outros. Entretanto, essas operações necessitam de diversas informações contábeis e financeiras da empresa (dica: mantenha a casa sempre em ordem)”, aconselha Afonso.

DÊ UMA CHANCE AO NOVO

“Vários mercados estão mudando e não é nada diferente no mercado financeiro. Existem diversas opções que fogem ao tradicional e que podem representar grande redução em termos de despesas financeiras. Uma boa opção a ser considerada são os bancos cooperativos, que apresentam taxas bastante interessantes, quer para captação de recursos, quer para investimentos. Existem também diversas fintechs que estão presentes no mercado financeiro, inclusive algumas no formato peer-to-peer lending, onde pessoas emprestam recursos para outras pessoas ou empresas sem a intermediação de um banco (formato convencional)”, indica o professor Carlos Afonso.

 

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